Depois de vender a Rimowa ao grupo LVMH, ex-dono criou hotel de 22 quartos com avião próprio em Portugal

Há uma boa chance de você já ter cruzado com uma criação de Dieter Morszeck em algum aeroporto do mundo.

As malas de alumínio da Rimowa, com suas inconfundíveis linhas paralelas, passaram de simples bagagem a objeto de desejo. Viraram companhia frequente de viajantes, celebridades e executivos e conquistaram espaço no universo da moda e do luxo.

Morszeck conhecia bem essa história. Neto de Paul Morszeck, fundador da empresa em Colônia, na Alemanha, ele assumiu a companhia familiar em 1984 e comandou uma expansão que transformaria profundamente a Rimowa.

Dieter Morszeck | Foto: divulgação
Dieter Morszeck | Foto: divulgação

Em 2016 veio o grande negócio: o grupo francês LVMH, controlador de Louis Vuitton, Dior, Fendi, Bulgari e outras grandes maisons, comprou 80% da Rimowa por € 640 milhões.

Era a primeira empresa alemã a entrar para o portfólio do conglomerado de Bernard Arnault.

Para Dieter, entretanto, começava outro capítulo.

E ele seria escrito longe de Paris, das grandes capitais da moda e dos aeroportos onde suas malas haviam se tornado símbolo de status.

O endereço escolhido foi a Vidigueira, no Alentejo, em Portugal.

Primeiro vieram as vinhas

Em 2017, Morszeck começou a formar a propriedade que se tornaria a Quinta do Paral, hoje com cerca de 85 hectares.

O empresário alemão já mantinha uma relação com Portugal e encontrou na região condições para investir em outra paixão: o vinho.

Ao lado do enólogo português Luís Morgado Leão, começou um projeto de recuperação de vinhedos, construção e modernização de adegas e produção de vinhos próprios. Atualmente, são aproximadamente 56 hectares de vinha, incluindo 13 hectares de vinhas velhas.

Mas Dieter não queria apenas produzir vinho. Aos poucos, aquele pedaço do Alentejo passou a incorporar outra ideia: receber pessoas. E foi assim que o empresário que passou boa parte da vida pensando na maneira como as pessoas viajam decidiu experimentar o outro lado da viagem.

Em vez da mala, o destino. Um hotel de apenas 22 acomodações.

Em junho de 2024, abriu na propriedade o The Wine Hotel Quinta do Paral, um cinco estrelas que colocou a hospitalidade definitivamente dentro do projeto. Pequeno e cercado pelos vinhedos da propriedade, o hotel possui atualmente 22 acomodações, entre quartos e suítes.

Quinta do Paral | Foto: divulgação
Quinta do Paral | Foto: divulgação

O projeto de arquitetura e interiores, assinado pelo escritório português Saraiva & Associados, procurou preservar a linguagem do Alentejo. Paredes caiadas de branco, tijolos, terracota, madeira e tons naturais aparecem em uma propriedade que prefere dialogar com a paisagem a tentar se impor sobre ela.

Há piscina de borda infinita diante dos campos, academia, jardins e espaços dedicados à gastronomia e aos vinhos produzidos ali mesmo. O principal restaurante é o The Wine Restaurant, acompanhado pelo The Estate Lounge e pelo Grape Rooftop.

Boa parte da experiência, naturalmente, acontece fora do quarto. O hóspede pode percorrer os vinhedos, fazer provas de vinho, conhecer as adegas, sair de bicicleta elétrica, cavalgar pela região, fazer piqueniques entre as vinhas ou simplesmente passar algumas horas diante da paisagem alentejana.

Em pouco tempo, o pequeno hotel também começou a conquistar algumas credenciais importantes no universo da hotelaria internacional.

A Quinta do Paral passou a integrar a The Leading Hotels of the World e, na seleção global de 2025 do Guia Michelin, recebeu duas Michelin Keys, distinção concedida aos hotéis considerados excepcionais pela publicação.

Quinta do Paral | Foto: divulgação
Quinta do Paral | Foto: divulgação

Para um endereço inaugurado apenas no ano anterior, não é um detalhe pequeno.

E tem até avião próprio

Existe ainda uma particularidade que ajuda a entender a dimensão do projeto de Morszeck.

Dieter também é apaixonado por aviação.

E essa paixão acabou chegando ao hotel.

Quinta do Paral | Foto: divulgação
Quinta do Paral | Foto: divulgação

A Quinta do Paral disponibiliza um Pilatus PC-12 para experiências e deslocamentos de hóspedes. A aeronave pode transportar até oito passageiros, além da tripulação, e é utilizada em operações que incluem transfers e voos panorâmicos sobre o Alentejo.

A Vidigueira está a aproximadamente duas horas de carro de Lisboa. Para determinados hóspedes internacionais, a possibilidade de realizar parte do deslocamento de avião privado muda completamente a logística da viagem.

Quando os primeiros detalhes do projeto começaram a aparecer na imprensa portuguesa, ainda em 2020, os investimentos anunciados para a Quinta do Paral giravam em torno de € 8 milhões, considerando diferentes frentes da propriedade, como vinhos, adegas e o desenvolvimento da hospitalidade.

Por isso, seria impreciso dizer que Dieter simplesmente gastou € 8 milhões para construir um hotel.

A Quinta do Paral é uma operação bem maior.

Quinta do Paral | Foto: divulgação
Quinta do Paral | Foto: divulgação

Além da hotelaria, produz aproximadamente 200 mil garrafas de vinho por ano e mantém produção própria ligada ao território. O projeto recuperou construções existentes, desenvolveu novas estruturas e criou uma operação turística em torno das vinhas.

Há também um aspecto interessante na equipe. Reportagens recentes indicam que cerca de 90% a 95% dos funcionários são recrutados na própria região, algo relevante para uma propriedade instalada em uma pequena localidade do interior português.

E Dieter Morszeck ainda não parece considerar o projeto concluído.

Em 2025, o Diário de Notícias, de Portugal, revelou que os planos incluem um novo restaurante e outro boutique hotel, desta vez com maior proximidade da população da Vidigueira.

Se avançarem, os projetos ampliarão a presença de Morszeck na hospitalidade portuguesa poucos anos depois da abertura de seu primeiro hotel.

Quinta do Paral | Foto: divulgação
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