Não é um hotel qualquer, não é exatamente um ashram, e definitivamente não é o tipo de endereço que se reserva sem entender antes o que está por trás dele. O OSHO International Meditation Resort fica em Koregaon Park, um dos bairros mais valorizados de Pune, na Índia, e carrega o nome de um dos personagens mais controversos que a espiritualidade contemporânea já produziu: Osho.
E vamos direto ao ponto que mais desperta curiosidade: para entrar, ainda hoje, em 2026, é preciso fazer um exame de HIV na recepção. Não é resquício dos anos 80. É protocolo vigente.

A estrutura, isso é preciso reconhecer, impressiona!
Jardins zen, espelhos d’água, arquitetura contemporânea, spa, piscina, mais de dez modalidades de meditação acontecendo ao longo do dia. A arquitetura é minimalista e luxuosa, com salões de meditação, espelhos d’água e jardins zen que criam uma atmosfera de calma profunda, e por ali circulam hóspedes do mundo inteiro, todos de roupão, com uma naturalidade que só quem conhece o lugar entende.
Porque dentro daquele portão, essa é a norma. As regras de acesso são bem específicas: o visitante se registra no Welcome Center, ao lado do portão principal, e usa roupão vinho durante o dia e branco apenas na meditação noturna. Cada peça é vendida à parte, um investimento adicional à diária, que já não é dos mais modestos.
Quanto ao exame de HIV, não é boato desatualizado. Reviews publicados ainda em 2026 confirmam a exigência: todo visitante é obrigado a fazer o teste durante o check-in. Um guia de viagem atualizado neste mesmo ano reforça: é preciso passar pelo teste de HIV na chegada e usar a vestimenta específica, em tons de vinho ou branco. Ou seja: segue em vigor, e é provavelmente o protocolo de entrada mais incomum de toda a hotelaria mundial.

Os números por trás da experiência
Falando em estrutura: a OSHO Guesthouse, a hospedagem oficial dentro do campus, tem sessenta quartos, todos com cama de casal, ar-condicionado, entrada de ar fresco e banheiro privativo, alguns adaptados para pessoas com mobilidade reduzida. Segundo o site oficial, a diária em ocupação single fica em torno de 3.850 rúpias (mais 5% de imposto), e a dupla, em 4.350 rúpias, o equivalente a algo entre R$ 230 e R$ 260 por noite, na cotação atual. Só que esse valor cobre apenas o quarto: o acesso ao resort em si, meditações, jardins, programação, é vendido à parte, num passe diário que varia conforme a duração da estadia, de um único dia até pacotes de 30 dias. Quem prefere ficar fora do campus encontra hospedagem no entorno de Koregaon Park por valores mais em conta, mas abre mão da conveniência de estar a poucos passos do auditório principal e, segundo relatos de hóspedes, da meditação das 6h da manhã, praticamente impossível de ignorar quando se está hospedado ali dentro.

Quem foi o homem por trás do nome
Bhagwan Shree Rajneesh, mais tarde conhecido como Osho, nasceu na Índia em 1931. Discursava sobre meditação, psicologia e liberação sexual numa combinação que atraía multidões e, em igual medida, incomodava governos.
Nos anos 80, ele levou o movimento inteiro para os Estados Unidos e ergueu, do zero, uma cidade chamada Rajneeshpuram, no interior do Oregon. Começou como projeto de utopia comunitária. Terminou como um dos episódios mais bizarros da história recente americana.

E é aqui que a história ganha contornos de thriller
Segundo o que está documentado em livros e reportagens sobre o caso, integrantes próximos de Osho — sob a liderança de sua braço-direito, Ma Anand Sheela — contaminaram propositalmente saladas de restaurantes locais com salmonela, numa tentativa de manipular o resultado de uma eleição municipal. O maior ataque bioterrorista já registrado em solo americano. Houve ainda esquema de fraude eleitoral em massa e um plano frustrado para assassinar um procurador federal.
O escândalo derrubou a comunidade em poucos anos. Osho foi deportado dos Estados Unidos e, segundo relatos de discípulos, passou a enfrentar dificuldade para obter visto em outros países. Retornou à Índia, voltou a se instalar em Pune, e ali permaneceu até sua morte, em 1990.
Se essa trajetória soa familiar, é provável que você já tenha assistido a “Wild Wild Country”, documentário da Netflix em seis episódios que reconstitui o caso e trouxe o assunto de volta ao radar de uma geração inteira.




E o resort segue lá, em pleno funcionamento
Décadas depois, o lugar continua recebendo visitantes do mundo inteiro — curiosos, céticos e praticantes fiéis à filosofia de Osho. Sofisticado, caro, peculiar e fascinante, tudo ao mesmo tempo. Um espaço de bem-estar de altíssimo padrão, erguido sobre uma das histórias mais controversas já registradas no universo da espiritualidade contemporânea. E é justamente por isso que ele nunca deixa de despertar interesse.




