Hotéis de luxo movimentaram R$ 3,34 bilhões no Brasil; 70% dos hóspedes foram os próprios brasileiros

Fairmont Rio de Janeiro | Foto: divulgação
Fairmont Rio de Janeiro | Foto: divulgação

O brasileiro está viajando pelo próprio país — e escolhendo hotéis de alto padrão para fazer isso. Em 2025, 70% dos hóspedes recebidos pelos empreendimentos pesquisados pela Brazilian Luxury Travel Association (BLTA) eram brasileiros. Os estrangeiros representaram os outros 30%.

O dado faz parte do Anuário BLTA 2026, realizado em parceria com o Centro Universitário Senac. O levantamento ouviu 71 associados, sendo 63 meios de hospedagem — entre hotéis, pousadas, resorts e lodges — e oito operadoras especializadas em turismo de luxo.

Os números ajudam a dimensionar esse mercado. Somados, os 63 empreendimentos pesquisados registraram faturamento bruto estimado de R$ 3,34 bilhões em 2025, crescimento de 0,8% em relação ao ano anterior. A diária média ficou em R$ 3.109, enquanto a ocupação média foi de 50%. Ao longo do ano, essas propriedades receberam perto de 1 milhão de hóspedes.

Há uma ressalva importante: os R$ 3,34 bilhões não correspondem a toda a hotelaria de luxo brasileira. O valor representa o faturamento estimado dos 63 meios de hospedagem participantes do levantamento da BLTA. Portanto, é um retrato de uma parcela relevante do setor, e não o tamanho total desse mercado no país.

Brasileiros são maioria, mas estrangeiros ficam mais tempo

O brasileiro representa a maior parte dos hóspedes, mas sua viagem costuma ser mais curta. Segundo o levantamento, 58% dos hóspedes nacionais permanecem por até três diárias, enquanto outros 35% ficam entre quatro e sete noites.

Entre os estrangeiros, a dinâmica muda: 80% permanecem no Brasil por mais de sete dias.

O estudo também permite enxergar quanto se gasta quando a viagem é organizada pelas operadoras participantes. Nesse recorte, o ticket médio diário das viagens comercializadas para brasileiros chegou a R$ 16.524, alta de 6% em relação a 2024. Entre os estrangeiros, alcançou R$ 21.216 por dia, crescimento de 4%.

É importante não confundir os valores: os R$ 16,5 mil e R$ 21,2 mil não são diárias de hotel. Correspondem ao ticket médio diário das viagens comercializadas pelas oito operadoras pesquisadas. A diária média dos meios de hospedagem foi de R$ 3.109.

Rio, Foz do Iguaçu e Pantanal estão entre os mais procurados

O levantamento também revela para onde está indo esse viajante.

O Rio de Janeiro lidera, aparecendo em 51% das menções das operadoras, seguido por Foz do Iguaçu, com 40%, e Pantanal, com 24%.

Na sequência aparecem Maranhão (19%), litoral da Bahia (17%), Salvador (16%), São Paulo e litoral do Ceará (14% cada) e Fernando de Noronha (10%).

É uma lista interessante porque boa parte dos destinos está diretamente ligada à natureza. Pantanal, Maranhão, Bahia, Ceará, Fernando de Noronha e Foz do Iguaçu dividem espaço com grandes centros urbanos e ajudam a desenhar uma hotelaria de luxo brasileira que não está concentrada apenas nas capitais.

O que esse hóspede procura dentro do hotel?

O anuário também entra em um território especialmente interessante para quem acompanha as transformações da hotelaria: o que o viajante de alto padrão deseja encontrar durante a hospedagem.

Bem-estar, spa e relaxamento aparecem entre as experiências oferecidas/procuradas em 93% dos empreendimentos pesquisados. Massagens chegam a 92%, gastronomia a 85%, serviços personalizados a 65% e atividades e experiências VIP a 53%.

Os dados ajudam a explicar por que spas, gastronomia, experiências privadas e serviços personalizados ganharam tanto espaço nos projetos e na comunicação dos hotéis de alto padrão. O quarto continua sendo fundamental, mas a experiência de uma hospedagem hoje passa por muitos outros ambientes e serviços da propriedade.

E há um dado que atravessa todo o levantamento: o brasileiro é o principal hóspede desse recorte da hotelaria de luxo nacional.

Sete em cada dez hóspedes são do próprio país. O estrangeiro permanece por períodos maiores e apresenta um ticket de viagem superior, mas é o mercado doméstico que responde pela maior parte das pessoas hospedadas nos empreendimentos analisados.

Os R$ 3,34 bilhões ajudam a dimensionar financeiramente esse universo. Os 70% de brasileiros, porém, contam uma história ainda mais interessante sobre quem está ocupando esses hotéis.

Assuntos

Experiências além do óbvio

Transforme a leitura em reserva.

Levamos você onde poucos vão, de um jeito que só o Check Hotels conhece. Se este hotel inspirou sua próxima viagem, deixe nossa curadoria cuidar dos detalhes.