
Encontrar um quarto em alguns dos melhores hotéis de Nova Delhi virou uma tarefa difícil — e bastante cara — nesta semana. A poucos dias da 18ª Cúpula do BRICS, que acontece nos dias 12 e 13 de setembro na capital indiana, hotéis de luxo estão esgotados em datas estratégicas, enquanto os poucos quartos disponíveis aparecem com tarifas que chegam a centenas de milhares de rúpias por noite.
O encontro será realizado no Bharat Mandapam e receberá chefes de Estado, autoridades, diplomatas e delegações internacionais. Na hotelaria, os efeitos já podem ser vistos nos sistemas de reservas.
Segundo levantamento publicado pelo The Indian Express, o Taj Mahal Hotel não apresentava disponibilidade para 11 e 12 de setembro. Para o dia 10, quando ainda havia quartos no momento da consulta, as tarifas começavam em ₹71.400 — cerca de R$ 4 mil — e uma das acomodações disponíveis chegou a aparecer por impressionantes ₹1,445 milhão em uma única noite.
É importante colocar esse último número em perspectiva: trata-se de uma categoria específica encontrada no sistema de reservas naquele momento, e não da tarifa padrão do hotel. Preços e disponibilidade são dinâmicos e podem mudar rapidamente conforme cancelamentos, bloqueios e liberação de inventário.
No Taj Palace, outro clássico da hotelaria de luxo da cidade, também não havia quartos disponíveis entre 11 e 13 de setembro na consulta feita pelo jornal. Para a noite anterior, as tarifas partiam de ₹72 mil e chegavam a ₹153 mil.
Os grandes hotéis estão lotados
A situação se repete em alguns dos endereços mais conhecidos da capital.
O The Oberoi New Delhi estava sem quartos para 11 e 12 de setembro. O movimento dos preços ajuda a dimensionar o efeito do evento: diárias que apareciam próximas de ₹35 mil em 7 e 8 de setembro subiam para ₹72.500 no dia 9 e ₹85 mil no dia 10.
No The Leela Palace New Delhi, em Chanakyapuri, as reservas também estavam fechadas para uma das principais datas da cúpula. The Imperial, próximo a Janpath, aparecia sem disponibilidade entre 10 e 13 de setembro.
Para quem ainda encontra um quarto, os preços impressionam.
No ITC Maurya, uma das propriedades mais emblemáticas da cidade e endereço historicamente associado à hospedagem de autoridades internacionais, o The Indian Express encontrou tarifas para 12 de setembro chegando a aproximadamente ₹255 mil por noite — algo em torno de R$ 14 mil na conversão aproximada.
No Shangri-La Eros New Delhi, as acomodações disponíveis para a mesma data apareciam entre ₹121.800 e ₹150.500.
Uma atualização publicada nesta terça-feira, 8 de setembro, pelo Hindustan Times mostra que a pressão continua às vésperas do encontro: Taj Mahal Hotel e The Oberoi permaneciam sem disponibilidade para 11 e 12; Taj Palace não tinha quartos entre 10 e 12; e The Leela Palace também não aceitava reservas nesse intervalo. No ITC Maurya, os preços iniciais para hospedagens entre 10 e 13 de setembro superavam ₹230 mil por noite.
O BRICS expõe outra questão da hotelaria indiana
A corrida pelos quartos também abriu uma discussão maior na Índia: o tamanho da oferta hoteleira diante da ambição do país de receber grandes eventos internacionais.
Segundo a Hotel Association of India, o país possui atualmente apenas cerca de 200 mil a 220 mil quartos em hotéis de marca. Para uma população superior a 1,4 bilhão de habitantes e um mercado que busca ampliar sua participação no turismo e no segmento de grandes eventos, a entidade considera o número insuficiente.
Dados da HVS ANAROCK citados pelo Business Standard mostram que 14.199 quartos de hotéis de marca foram adicionados à oferta indiana em 2025. Outros 64.118 quartos, distribuídos por 586 empreendimentos assinados, estão previstos para os próximos anos.
O efeito BRICS também aparece fora dos hotéis diretamente associados às delegações. A Radisson Hotel Group informou que suas tarifas médias para setembro estão mais de 25% acima das registradas no mesmo período do ano anterior e atribuiu parte dessa pressão à demanda gerada pela cúpula.
Para o viajante comum que pretendia visitar Nova Delhi justamente nesses dias, as alternativas ficaram claras: pagar valores muito acima do habitual, procurar hospedagem distante das regiões mais disputadas ou simplesmente mudar as datas da viagem.
Durante alguns dias de setembro, uma das grandes capitais da Ásia virou também uma demonstração prática do que acontece quando diplomacia internacional, segurança, delegações oficiais e uma oferta limitada de quartos de luxo precisam ocupar a mesma cidade ao mesmo tempo.










