Imagine morar em um endereço nos Jardins com restaurante, piscina térmica, academia, cinema, spa, sauna, áreas de convivência e serviço de hotelaria. Até aqui, poderia perfeitamente ser a descrição de um novo hotel de luxo em São Paulo.
Mas não é.
A proposta é criar um residencial de alto padrão pensado especialmente para o público 60+, unindo moradia, hospitalidade, bem-estar e assistência médica em um mesmo endereço.
A responsável pelo projeto é a ABF Developments, incorporadora gaúcha que já trabalha com o conceito de senior living no Rio Grande do Sul e prepara sua chegada à capital paulista. A empresa está em fase final de negociação do terreno nos Jardins e pretende lançar o empreendimento no terceiro trimestre de 2027. O prazo habitual de construção é de 32 a 36 meses.
E São Paulo pode ganhar uma segunda unidade. A incorporadora já avalia uma área no Itaim Bibi para uma futura operação.
Um hotel para morar
O pacote mensal inclui hospedagem, seis refeições por dia e equipe de cuidadores. Dependendo da acomodação e do nível de assistência necessário, os valores atualmente praticados nos empreendimentos da empresa ficam entre R$ 16 mil e R$ 28 mil por mês.
É justamente aqui que a história fica interessante para nós, que acompanhamos hotelaria.
O projeto previsto para os Jardins deverá ter cerca de 140 unidades e seguirá a linha do Magno Moinhos, empreendimento da empresa em Porto Alegre. Os apartamentos são compactos, enquanto boa parte da experiência acontece nos serviços e nas áreas comuns.
No modelo já praticado pela companhia, as unidades têm entre 22 e 35 m², e os moradores encontram uma estrutura que poderia estar tranquilamente dentro de um resort urbano: piscina térmica, academia, restaurante, cinema, horta, spa, sauna e espaços de convivência.
A diferença, naturalmente, está na camada de cuidados.
Antes de ingressar no residencial, cada morador passa por uma avaliação que determina o grau de assistência necessária. A estrutura pode envolver médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, fisioterapeutas e cuidadores. Há ainda possibilidade de permanências temporárias, inclusive durante períodos de recuperação após cirurgias ou tratamentos.
A escolha dos Jardins também ajuda a entender o conceito.
Em um projeto como esse, localização não significa apenas estar em um dos metros quadrados mais valorizados de São Paulo. É importante permanecer perto da família, dos serviços, dos restaurantes e, principalmente, de uma boa infraestrutura médica.
Essa mesma lógica explica por que o Itaim Bibi já está sendo estudado como possível segundo endereço da marca na cidade. Nenhuma nova unidade no bairro está confirmada até agora; a ABF informou apenas que analisa uma área na região.
Para a operação paulista, outro ponto ainda está em aberto: quem ficará responsável pelas áreas de saúde e hotelaria. Segundo a companhia, houve conversas preliminares com instituições como o Hospital Israelita Albert Einstein, mas nenhuma parceria foi fechada.




