Emiliano São Paulo, 25 anos: o luxo está nos detalhes, mas a diferença está nas pessoas

Fachada | Emiliano São Paulo | Foto: divulgação
Fachada | Emiliano São Paulo | Foto: divulgação

Era uma quarta-feira à noite quando desembarquei em São Paulo. Vinha do Rio de Janeiro, já cansado, peguei um táxi em Congonhas e segui para o Emiliano. Deviam ser umas nove da noite quando o carro parou na porta da Oscar Freire.

Antes mesmo de colocar os pés dentro do hotel, aconteceu uma daquelas pequenas coisas que dizem muito sobre hospitalidade.

O funcionário abriu a porta do carro e disse:

“Boa noite, senhor Belo.”

Eu viajo muito. Conheço muitos hotéis e sei perfeitamente que, na hotelaria de alto padrão, chamar o hóspede pelo nome faz parte do treinamento. Existem sistemas, informações de chegada, comunicação entre as equipes. Não há mágica nisso. Fiquei pensando várias coisas… Nunca sei ao certo a estratégia que usam para isso. Só sei que funcionou!

Mesmo sabendo de tudo isso, ainda me pega. Eu nem havia entrado no Emiliano e alguém já sabia quem eu era, isso pode parecer um simples detalhe, mas na minha opinião é exatamente aí que começa o luxo.

A exclusividade que sempre encontro aqui

Vinicius Belo no Emiliano São Paulo | Suíte Cubo | Foto Alexandre
Vinicius Belo no Emiliano São Paulo | Foto Alexandre NevesCheckHotels

Frequento o Emiliano há alguns anos e percebi que existe uma palavra que aparece quase sempre quando escrevo sobre a marca: exclusividade.

Não é proposital. É uma sensação.

O restaurante recebe público externo, assim como o bar. Estamos na Oscar Freire, em plena São Paulo. Ainda assim, quando atravesso aquela porta, tenho a impressão de entrar em um lugar reservado, quase particular.

Talvez a escala ajude a explicar. Inaugurado em 2001, o Emiliano nasceu com uma proposta bastante incomum para a hotelaria paulistana daquele momento. A imprensa especializada em arquitetura chegou a apresentá-lo, naquele ano, como o primeiro hotel-butique de São Paulo.

Em uma cidade marcada por grandes hotéis, muitos deles pensados para o intenso movimento corporativo, apostar em poucas acomodações, quartos amplos, design e atendimento extremamente personalizado era uma escolha ousada.

Vinte e cinco anos depois, essa escolha virou identidade.

O Emiliano é jovem se comparado aos grandes hotéis centenários do mundo. Ao mesmo tempo, um quarto de século foi suficiente para transformá-lo em parte da tradição do luxo paulistano. E de um luxo muito específico: discreto, silencioso, sem necessidade de provar o tempo inteiro quanto custa. Isso sim é um poder.

Quando alguém pensa antes de você

Lobby do Emiliano São Paulo | Foto Tuca Reines
Lobby do Emiliano São Paulo | Foto Tuca Reines

Subi para o quarto acompanhado pelo mensageiro, com minhas duas malas de mão.

Enquanto me instalava, ele perguntou naturalmente:

Senhor Belo, posso retirar as roupas que o senhor vai usar amanhã e mandar passar?

Na mesma hora pensei na camisa e na calça de linho que precisaria usar no dia seguinte. Estavam dentro da mala e, sinceramente, depois da viagem, passar roupa era uma preocupação que ainda nem tinha entrado na minha cabeça. Ele pensou antes de mim. As peças saíram da mala e seguiram para a passadoria.

Pode parecer banal para quem imagina que todos os hotéis cinco estrelas funcionam assim. Não funcionam. Em muitos excelentes hotéis, o serviço existe. Você liga, solicita, alguém recolhe as peças. No Emiliano São Paulo eu não precisei pedir.

Costumo brincar dizendo que uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa. Atender muito bem a um pedido é uma coisa. Perceber o que um hóspede pode precisar antes mesmo que ele peça é outra. E foi exatamente isso que aconteceu ali. Eu não precisei lembrar que tinha uma camisa e uma calça de linho amassadas dentro da mala. Não precisei procurar o telefone, ligar para a lavanderia ou perguntar sobre a passadoria. Alguém pensou nisso antes de mim.

Pode parecer um detalhe pequeno. Mas é nesse tipo de detalhe que eu consigo perceber quando o serviço deixa de ser apenas eficiente e passa a ser realmente excepcional. Atender bem é fundamental. Antecipar é hospitalidade…

Durante aqueles dias, tive essa sensação algumas vezes: a de estar em um hotel no qual eu poderia simplesmente me hospedar e deixar que algumas coisas fossem pensadas por mim.

Para alguém que chega cansado de uma viagem, já atravessado pelo excesso de informações que recebemos diariamente e por essa cultura de superprodutividade em que parece que precisamos pensar e dar conta de tudo o tempo inteiro, ter alguém pensando em um detalhe por você vale muito.

Piscina privativa da Suíte Cubo | Emiliano São Paulo | Foto: Tuca Reines
Piscina privativa da Suíte Cubo | Emiliano São Paulo | Foto: Tuca Reines

O luxo silencioso antes de ele virar assunto

Hoje existe toda uma conversa em torno do quiet luxury, da busca por experiências menos ostensivas, da valorização da privacidade, do espaço, do serviço e daquilo que não precisa carregar uma logomarca enorme para ser reconhecido como especial.

O curioso é que o Emiliano trabalha essa linguagem há 25 anos.

O luxo está no mobiliário, nos materiais, na iluminação, nas obras de arte, no design brasileiro e na forma como tudo foi colocado ali.

O hotel não grita.

Você precisa olhar.

No lobby, as icônicas peças dos irmãos Campana convivem com o projeto de Arthur Casas e ajudam a criar um ambiente que é sofisticado sem ser solene. Há arte, arquitetura e design por toda parte, mas nada parece montado para impressionar.

É um endereço para quem gosta de perceber detalhes.

E eu gosto.

Vinicius Belo no Emiliano São Paulo  | Foto Alexandre NevesCheckHotels
Vinicius Belo no Emiliano São Paulo | Foto Alexandre NevesCheckHotels
Vinicius Belo no Emiliano São Paulo  | Foto Alexandre NevesCheckHotels
Vinicius Belo no Emiliano São Paulo | Foto Alexandre NevesCheckHotels
Experiência na Suíte Cubo do Emiliano São Paulo  | Foto Alexandre NevesCheckHotels
Experiência na Suíte Cubo do Emiliano São Paulo | Foto: Alexandre NevesCheckHotels

Santa Pele: um pequeno caso de amor

Preciso fazer aqui uma confissão absolutamente pessoal: sou apaixonado por produtos de beleza.

Creme, aroma, óleo essencial, sabonete, shampoo, hidratante… sou essa pessoa. Gosto de abrir, experimentar, sentir o cheiro, perceber textura.

Por isso, amenities de hotel são assunto sério para mim.

E os produtos da Santa Pele encontrados no Emiliano estão entre aqueles que realmente transformam o banho em parte da experiência da hospedagem.

Quem gosta desse universo percebe rapidamente que não se trata de um produto genérico colocado em uma embalagem bonita. Há personalidade no aroma. Há uma sensação de brasilidade, de natureza, de cuidado. São cheiros que me trazem uma espécie de calma.

É difícil explicar aroma em palavras porque cheiro é memória, sensação, estado de espírito.

No meu caso, os produtos da Santa Pele combinam perfeitamente com o que o próprio Emiliano representa: são presentes, mas não invasivos; sofisticados, sem afetação.

Eu poderia facilmente levar todos para casa.

E essa mesma linguagem de cuidado aparece no spa, outro espaço primoroso do hotel, onde silêncio, aromas, texturas e bem-estar parecem fazer parte da mesma narrativa.

Vinicius Belo no Spa Santa Pele | Emiliano São Paulo  | Foto: Alexandre NevesCheckHotels
Vinicius Belo no Spa Santa Pele | Emiliano São Paulo | Foto: Alexandre NevesCheckHotels

A Cubo é uma joia

E então existe a Suíte Cubo. No alto do hotel, ela é uma daquelas acomodações que ajudam a construir a personalidade de um endereço.

São 135 metros quadrados distribuídos em dois níveis, com sala de estar, quarto no mezanino e uma piscina privativa dentro da própria suíte. Mas metragem não explica a Cubo. O que me impressionou foi a luz.

As grandes superfícies de vidro abrem São Paulo diante dos olhos e criam uma relação muito particular com a cidade. Você está no meio de uma das maiores metrópoles do mundo e, ao mesmo tempo, protegido dela.

Experiência na Suíte Cubo do Emiliano São Paulo  | Foto: Tuca Reines
Experiência na Suíte Cubo do Emiliano São Paulo | Foto: divulgação

Há luz natural, amplitude, privacidade e uma vista que alcança aquela região tão arborizada dos Jardins.

A Cubo já recebeu nomes importantes ao longo de sua história, mas não precisa de celebridade alguma para ser especial.

Poucos hotéis de São Paulo oferecem uma suíte urbana com essa configuração, principalmente com uma piscina privativa integrada ao espaço.

É uma joia do Emiliano.

Um novo restaurante e um room service que ficou na memória

Durante a hospedagem também fui conhecer o novo restaurante do Emiliano, que eu já havia acompanhado editorialmente no Check Hotels.

O projeto de Arthur Casas é belíssimo.

Restaurante Cena | Emiliano São Paulo | Foto: T.Reines
Restaurante Cena | Emiliano São Paulo | Foto: T.Reines

O ambiente tem a elegância característica do hotel, com uma atmosfera extremamente agradável, especialmente à noite. O cardápio é enxuto, com poucas opções, seguindo uma proposta bastante objetiva.

Mas, falando da minha experiência pessoal com comida durante a hospedagem, houve dois pedidos que ficaram especialmente na memória e curiosamente vieram do room service.

Um espaguete à bolonhesa e um club sandwich. Dois clássicos. E estavam maravilhosos.

Existe também um teste interessante em pedir pratos aparentemente simples em um grande hotel. Não há espuma, ingrediente exótico ou apresentação mirabolante atrás da qual se esconder. Um bom club sandwich precisa ser um excelente club sandwich. Uma boa bolonhesa precisa trazer conforto.

Os dois chegaram impecáveis. Eu costumo brincar dizendo que tem comida que a gente come rezando.

Foi o caso.

Café da manhã sem buffet… ainda bem!

Restaurante Cena | Emiliano São Paulo | Foto: T.Reines
Restaurante Cena | Emiliano São Paulo | Foto: T.Reines

Tenho uma questão particular com café da manhã de hotel: gosto quando tudo parece ter acabado de ser preparado.

No Emiliano não há aquela peregrinação em volta de um grande buffet. E eu acho isso chiquíssimo. Você senta e o café da manhã acontece à sua mesa. As frutas chegam até você. Os pratos são preparados na hora. O suco chega fresco. E suco, para mim, é um ótimo teste. Sou bastante exigente com isso. Não gosto de suco de laranja que foi espremido muito antes e ficou esperando para ser servido. O sabor muda.

No Emiliano, você percebe o frescor. O suco verde chega com aquela espuma que entrega que acabou de ser preparado. É precioso justamente porque parece simples. Sem fila. Sem bandeja. Sem levantar várias vezes. Sem aquela movimentação constante em torno de uma ilha de buffet.

A manhã começa em outro ritmo.

Mas comecei a perceber outra coisa

Experiência na Suíte Cubo do Emiliano São Paulo  | Foto: divulgação
Experiência na Suíte Cubo do Emiliano São Paulo | Foto: Tuca Reines

Durante a hospedagem, algo passou a me chamar muito a atenção. As pessoas pareciam felizes trabalhando ali.

E faço questão de usar “pareciam”, porque não tenho como saber o que acontece na vida de cada funcionário. Estou falando exclusivamente daquilo que observei como hóspede.

O Emiliano é pequeno. São poucos quartos, dois elevadores. Naturalmente, em algum momento você cruza com uma camareira, um mensageiro ou alguém da equipe pelos corredores. E praticamente todos esses encontros tinham um “bom dia”, um sorriso, uma pergunta sobre como eu estava.

Não eram apenas as pessoas que estavam diretamente responsáveis pela minha hospedagem. Isso é importante.

Uma manhã, entrei no elevador e havia uma camareira chegando. Imediatamente ela me deu passagem e decidiu esperar o próximo.

Eu disse:

“Pode vir comigo.”

Ela, muito educadamente, preferiu esperar. É um detalhe minúsculo. Mas comecei a perceber que havia uma cultura de serviço presente inclusive quando ninguém parecia estar observando.

E ninguém precisava saber quem eu era. Eu poderia ser simplesmente o hóspede do quarto tal. Na verdade, era exatamente isso que eu queria ser.

Porque um bom review não acontece quando o hotel prepara uma experiência especial para quem vai escrever sobre ele. Acontece quando você consegue observar como aquela casa funciona quando acredita que ninguém está avaliando.

A cena que explicou minha hospedagem

Vinicius Belo no Emiliano São Paulo | Foto: Alexandre Neves
Vinicius Belo no Emiliano São Paulo | Foto: Alexandre Neves

No dia de ir embora aconteceu algo que, para mim, amarrou toda a experiência. Eu já tinha feito o check-out e estava dentro do carro, pronto para sair, quando outro veículo parou na porta do hotel. Desceu um homem que claramente parecia conhecer muito bem aquele lugar. Não sei quem era, não sei o que fazia e isso pouco importa. O que me interessou foi o que aconteceu depois. Ele entregou o carro, retiraram suas malas e, em seguida, começou a cumprimentar os funcionários.

Não eram cumprimentos protocolares. Havia abraços. O capitão-porteiro, os mensageiros, pessoas que pareciam conhecê-lo havia bastante tempo. Existia respeito, naturalmente, mas existia também intimidade no melhor sentido da palavra. A alegria de rever alguém.

Fiquei olhando aquela cena de dentro do carro. E achei bonito. Porque percebi que aquele homem não estava simplesmente voltando para um hotel onde costumava dormir. Ele estava voltando para um lugar onde as pessoas sabiam quem ele era e pareciam genuinamente felizes em vê-lo novamente.

Quem sabe essa não seja uma das maiores conquistas possíveis para um hotel… Você pode ter o melhor mármore. Pode contratar um grande arquiteto. Pode comprar arte, mobiliário assinado, enxoval extraordinário. Pode construir uma suíte com piscina. Mas não se compra a sensação de chegar a algum lugar e se sentir querido. Isso é construído. Com tempo.

25 anos construindo pessoas e relações

Vinicius Belo no Emiliano São Paulo | Foto: Alexandre Neves
Vinicius Belo no Emiliano São Paulo | Foto: Alexandre Neves

E foi somente depois que pensei na frase escolhida pelo Emiliano para celebrar seus 25 anos:

“São 25 anos construídos com cuidado, consistência e, acima de tudo, com pessoas.”

Depois da minha hospedagem, essa frase fez muito sentido. Porque quando penso nos dias que passei ali, percebo que minhas principais lembranças envolvem pessoas.

O homem que abriu a porta do meu táxi e sabia meu nome. O mensageiro que percebeu que minhas roupas precisariam ser passadas antes que eu mesmo pensasse nisso. A camareira que sorriu e me deu passagem no elevador. As pessoas que perguntavam se estava tudo bem. E, finalmente, aquele hóspede chegando e abraçando uma equipe que claramente já fazia parte da história dele.

Eu devia ter 16 ou 17 anos quando comecei a estudar Turismo e Hotelaria. Naquela época, aprendia na teoria palavras como serviço, excelência, personalização, antecipação de necessidades e hospitalidade.

Depois vieram os anos, as viagens e muitos hotéis. E hoje percebo que continuo procurando exatamente as mesmas coisas. O Emiliano São Paulo completa 25 anos em 2026. É jovem diante dos grandes hotéis centenários do mundo, mas conseguiu construir algo que tempo nenhum garante sozinho: tradição.

Tradição de serviço.

Tradição de discrição.

Tradição de cuidado.

E aquela palavra que sempre aparece quando escrevo sobre o Emiliano continua fazendo sentido para mim: exclusividade. Só que, desta vez, saí entendendo que ela não está relacionada apenas ao número de quartos, à Suíte Cubo, ao design, à localização ou ao preço de uma diária.

Exclusividade também é ser reconhecido.

Ser cuidado.

Voltar.

E descobrir que, do outro lado da porta, alguém está feliz porque você chegou.

Uma experiência completa!

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