
Discrição é uma das coisas mais caras que se compram em um hotel de luxo. No Hôtel de Crillon, em Paris, ela agora está sendo colocada em dúvida.
Uma investigação do jornal francês Libération reuniu acusações de ex-funcionários sobre o que acontecia nos bastidores de um dos hotéis mais exclusivos da capital francesa. Entre os relatos estão imagens de hóspedes captadas pelas câmeras de segurança e supostamente compartilhadas entre funcionários, além de suspeitas envolvendo objetos de luxo desaparecidos.
Sim, estamos falando do Crillon. Um Palace.

A câmera que deveria proteger
Segundo o Libération, funcionários da segurança teriam acessado imagens de hóspedes em áreas como piscina, spa e academia. Alguns desses registros teriam circulado em grupos de WhatsApp.
Entre as pessoas citadas pela investigação está a atriz Virginie Efira. Ela teria sido filmada próximo à piscina em uma situação de intimidade. De acordo com o jornal, as imagens circularam e posteriormente chegaram ao conhecimento da atriz.
O Libération afirma ainda que Efira teria sido indenizada pelo hotel. Ela preferiu não comentar o episódio. Se confirmado, é um curioso conceito de serviço personalizado: o hóspede vai à piscina e a segurança acompanha de perto. Perto demais…

E ainda tem uma Rolex
A investigação também ouviu ex-funcionários sobre objetos valiosos que teriam desaparecido do setor de achados e perdidos.
Um dos casos relatados envolve uma Rolex esquecida por um hóspede. Segundo o jornal, o relógio teria desaparecido do local onde estava guardado e reaparecido semanas depois, quando o proprietário entrou em contato para buscá-lo.
Funcionários ouvidos pelo Libération afirmam ainda que algumas dessas práticas teriam sido denunciadas internamente. Parte deles acabou posteriormente desligada do hotel.
As acusações precisam ser tratadas como acusações: não há, até o momento, uma decisão judicial que comprove o conjunto dos relatos publicados pelo jornal. A direção do Crillon não respondeu às perguntas do Libération sobre as denúncias na época da investigação.
O luxo da discrição
O episódio fica ainda mais incômodo porque o Hôtel de Crillon acaba de ter renovada sua distinção oficial de Palace, reservada a uma pequena elite da hotelaria francesa.
No Crillon, o hóspede não paga apenas por uma suíte diante da Place de la Concorde. Paga por serviço, segurança e, principalmente, privacidade.
Mármore pode ser restaurado. Uma suíte pode ser reformada, já a confiança, é um pouco mais complicada.









