Por Aline Araújo
A CASACOR São Paulo entra em sua última semana de visitação, a mostra segue aberta até 9 de agosto, no Parque da Água Branca e, para quem acompanha arquitetura, design e hospitalidade, ainda vale a visita.
A edição deste ano propõe uma reflexão sobre “Mente e Coração”, tema que conversa diretamente com um dos maiores desafios da hotelaria contemporânea: criar espaços capazes de acolher, desacelerar e proporcionar experiências memoráveis.
Durante minha visita, na semana de abertura do evento, três movimentos chamaram especialmente a atenção e mostram como o universo da arquitetura residencial está cada vez mais próximo dos hotéis.

A cama deixou de ser apenas um móvel…
Dormir bem se tornou um dos maiores luxos da atualidade. Não por acaso, cada vez mais hotéis investem em colchões exclusivos, enxovais de alta qualidade e projetos pensados para proporcionar uma noite de sono impecável.
No ambiente assinado pela Suite Arquitetos, essa sensação aparece de forma imediata. É daqueles espaços que despertam vontade de permanecer ali por horas, mostrando que o descanso passou a ser uma experiência, e não apenas uma necessidade.

O maximalismo voltou, agora com significado
Depois de anos de predominância dos interiores minimalistas, os ambientes voltam a ganhar camadas de personalidade.
Papéis de parede, obras de arte, tecidos, texturas e cabeceiras marcantes aparecem como elementos capazes de contar histórias e criar identidade.
O ambiente de Felipe de Almeida traduz bem esse movimento, mostrando que sofisticação também pode nascer do excesso cuidadosamente equilibrado, algo que muitos hotéis boutique vêm adotando em seus projetos.
Natureza como novo sinônimo de luxo
Entre os espaços da mostra, a cabana criada por Paulo Azevedo talvez seja a que mais dialoga com uma das maiores tendências da hotelaria mundial.
Ela reforça um conceito que cresce em diferentes destinos: hospedagens que aproximam o hóspede da natureza sem abrir mão do conforto.
Hoje, luxo também significa silêncio, vegetação, materiais naturais e uma sensação genuína de pertencimento ao lugar.

A hotelaria já começou a mudar
Ao final da visita, fica a impressão de que a CASACOR não fala apenas sobre o futuro das casas.
Ela oferece pistas importantes sobre o futuro dos hotéis: ambientes mais sensoriais, emocionais e humanos, onde design deixa de ser apenas estética para se tornar parte da experiência.
Se você ainda pretende visitar a CASACOR São Paulo antes do encerramento, vale a pena percorrer a mostra também com esse olhar. Talvez, entre um ambiente e outro, você encontre inspirações que em breve estarão presentes nas hospedagens mais interessantes do mundo.

Aline Araujo é carioca, arquiteta e urbanista pela UFRJ, com especialização em marketing de moda pelo Istituto Marangoni de Londres. A paixão pela escrita e pelo desenho nasceu na infância e amadureceu na carreira, somada à experiência em comerciais, reportagens de TV e edição de vídeo. Em 2010 criou o escritório ame arquitetura®️ e, pouco depois, o perfil @amearquitetura — hoje um diário digital multiplataforma dedicado ao #designlifestyle, que cresceu com o apoio orgânico do público.




