
Florença acaba de ganhar um novo endereço de hospitalidade de luxo. A prestigiada La Réserve Hotels and Private Homes, fundada pelo empresário franco-suíço Michel Reybier, escolheu a capital da Toscana para sua estreia na Itália. Mas, em vez de um hotel convencional, a marca apresenta uma proposta bastante particular: apenas seis apartamentos privativos instalados em um palácio do século XV, com serviços personalizados e a atmosfera de uma residência florentina.
Localizado na Via Santo Spirito, no bairro de Oltrarno, o La Réserve Firenze ocupa o histórico Palazzo Segni, um edifício renascentista que passou por um cuidadoso processo de restauração. O projeto nasceu da paixão de um casal parisiense pela Itália: Olivia e Grégory Marciano, que adquiriram a propriedade em 2022 e decidiram transformá-la em um endereço singular de hospitalidade.
Em entrevista exclusiva ao Check Hotels, Grégory conta que a escolha de Florença foi resultado de uma relação afetiva construída ao longo dos anos.

“Olivia e eu sempre tivemos um amor profundo pela Itália, especialmente por Florença. Durante muitos anos, sonhamos em fazer da Itália nossa casa. Florença reúne tantas coisas pelas quais somos apaixonados: arte, arquitetura, design de interiores, gastronomia e, acima de tudo, uma certa arte de viver.”
A trajetória profissional de Olivia também ajuda a compreender a identidade do empreendimento. Durante dez anos, ela trabalhou na Dior, experiência que reforçou seu interesse pela estética, pelo trabalho artesanal e pela atenção aos detalhes.
Segundo Grégory, o desejo do casal ultrapassava a criação de uma propriedade sofisticada. A intenção era compartilhar sua paixão pela cidade e estabelecer uma relação genuína com a cultura e a comunidade florentina.

Quatro anos para devolver a vida a um palácio do século XV
A transformação do Palazzo Segni exigiu um trabalho minucioso de preservação arquitetônica. Para conduzir o projeto de interiores, os proprietários convidaram Gilles & Boissier, dupla francesa reconhecida por sua atuação em projetos residenciais e de hospitalidade de alto padrão.
A proposta era estabelecer um diálogo entre o patrimônio renascentista e o design contemporâneo, sem apagar as marcas históricas do edifício.

Afrescos originais, tetos de madeira pintados, entalhes e elementos arquitetônicos foram cuidadosamente recuperados por artesãos especializados. O projeto incorporou ainda materiais tradicionais da região, como travertino de Siena, terracota toscana e pedras locais.
“Desde o início, nossa intenção nunca foi transformar o palácio em um hotel convencional, mas devolvê-lo à vida como uma residência privada excepcional”, explica Grégory.
A restauração também revelou desafios técnicos importantes. Instalar sistemas contemporâneos de conforto e infraestrutura em uma construção com séculos de história exigiu soluções que respeitassem a integridade arquitetônica do imóvel.
“Restaurar um palácio histórico florentino é muito diferente de desenvolver um novo hotel. Cada ambiente apresenta seus próprios desafios, e é preciso encontrar constantemente o equilíbrio entre respeitar o passado e oferecer o conforto esperado de uma residência contemporânea de luxo.”
Questionado sobre os investimentos e eventuais descobertas durante a obra, Grégory reconhece que o projeto exigiu recursos financeiros e envolvimento emocional significativos, mas prefere não revelar valores.
Para ele, as dificuldades encontradas durante a transformação contribuíram para construir a personalidade que hoje distingue a propriedade.

Arte, design e a intimidade de uma casa florentina
O resultado da restauração aparece nos seis apartamentos, com áreas que variam entre 170 e 210 metros quadrados e configurações de um a três quartos.
Os ambientes combinam mobiliário contemporâneo, antiguidades florentinas e peças da coleção particular de arte dos proprietários, que inclui trabalhos de Lee Bae, Hans Hartung, Bernar Venet e François Halard.
Sob os tetos históricos, obras contemporâneas convivem com tapeçarias e esculturas centenárias, criando uma composição que reflete o gosto pessoal de Olivia e Grégory.

Todos os apartamentos possuem cozinhas equipadas, salas de convivência generosas e elementos arquitetônicos originais. Uma das residências, com três quartos, dispõe ainda de um terraço privativo de 55 metros quadrados, com vista de 360 graus para Florença.
A propriedade oferece também espaços compartilhados exclusivamente pelos hóspedes, como biblioteca, sala de jogos com mesa de bilhar, academia, um pátio interno arborizado e um terraço com vista para Santo Spirito.
Apesar do potencial desses ambientes para eventos e encontros, Grégory esclarece que a proposta não é transformá-los em espaços públicos.
“Esses ambientes foram concebidos principalmente para o desfrute dos nossos residentes, e não como locais de encontro abertos ao público. Preservar a intimidade e a privacidade do palácio é essencial para nossa filosofia.”

O luxo de viver Florença no próprio ritmo
A experiência gastronômica é outro diferencial do La Réserve Firenze.
Em vez de apostar em um restaurante tradicional dentro da propriedade, o empreendimento oferece aos hóspedes um serviço de refeições nos apartamentos assinado pela Cammillo, uma das trattorias mais tradicionais de Florença, em uma parceria exclusiva.
Também é possível contratar um chef com estrela Michelin para preparar um jantar privativo ou receber uma nonna italiana para uma experiência dedicada à produção artesanal de massas.
O serviço de maître de maison acompanha as necessidades cotidianas dos hóspedes, enquanto o concierge organiza experiências personalizadas pela cidade e pela Toscana.

Entre as possibilidades estão visitas culturais fora dos horários convencionais, degustações de vinhos diretamente com produtores, atividades esportivas e passeios por endereços pouco conhecidos dos visitantes.
A localização contribui para essa proposta. Situado na margem esquerda do Rio Arno, o bairro de Oltrarno preserva uma atmosfera que mistura tradição aristocrática, vida cultural e o cotidiano florentino.
Na Via Santo Spirito, palácios históricos convivem com galerias de arte, oficinas de artesãos, boutiques e restaurantes. A poucos minutos estão o Palazzo Pitti e a Ponte Vecchio.
Para os proprietários, essa relação com o entorno é fundamental. A ideia é permitir que o visitante experimente a cidade como alguém que vive nela, e não apenas como um turista de passagem.

“O verdadeiro luxo está na qualidade das relações humanas”
Em um momento em que grandes grupos internacionais continuam expandindo suas operações no segmento de alto padrão, o La Réserve Firenze aposta deliberadamente em uma escala reduzida.
Para Grégory Marciano, a exclusividade não está necessariamente associada à grandiosidade das instalações, mas à capacidade de oferecer experiências verdadeiramente individuais.
“Para mim, o verdadeiro luxo está cada vez mais relacionado à privacidade, à liberdade, à autenticidade e à qualidade das relações humanas. É claro que interiores bonitos, materiais excepcionais e um serviço impecável são essenciais, mas o que realmente faz a diferença é como um lugar faz você se sentir.”
A decisão de operar apenas seis apartamentos permite, segundo ele, estabelecer relações mais próximas entre a equipe e os hóspedes.

O objetivo é compreender hábitos, antecipar preferências e oferecer um serviço que acompanhe o ritmo de cada visitante, sem a formalidade frequentemente associada à hotelaria tradicional.
“Queremos que nossos hóspedes sintam que esta é sua própria casa em Florença, onde tudo é cuidado de maneira natural e discreta.”
O empresário também acredita que essa busca por experiências mais íntimas representa uma mudança importante no mercado de hospitalidade de luxo na Toscana.

“Os viajantes estão cada vez mais em busca de autenticidade, privacidade e experiências pessoais, em vez de simplesmente grandes hotéis e do luxo tradicional.”
Para ele, a decisão de permanecer pequeno é estratégica.
“Continuar pequenos é uma escolha deliberada. Isso nos permite oferecer um nível de atenção personalizada que seria difícil alcançar em uma escala maior.”

A chegada da La Réserve à Itália
Fundada em 2003 sob a liderança de Michel Reybier, a La Réserve construiu sua identidade em torno de propriedades exclusivas, serviços personalizados e uma interpretação discreta da hospitalidade de luxo.
A coleção reúne quatro hotéis e diferentes residências privativas, com uma filosofia que privilegia a singularidade de cada destino.
A estreia em Florença amplia essa proposta ao incorporar um edifício histórico cuja transformação está diretamente ligada à visão pessoal de seus proprietários.
O La Réserve Firenze surge, assim, como uma alternativa aos grandes hotéis de luxo da cidade, especialmente para casais, famílias e grupos de amigos que desejam permanecer por mais tempo e desfrutar de uma experiência residencial.
Grégory espera, inclusive, que muitos visitantes desenvolvam uma relação duradoura com a propriedade, retornando regularmente e passando a reconhecê-la como sua própria casa na Toscana.
Ao ser convidado pelo Check Hotels a definir o empreendimento em uma única frase, o empresário sintetizou a essência do projeto:
“La Réserve Firenze é uma casa florentina privada onde beleza, intimidade e hospitalidade genuína se encontram para fazer com que cada hóspede realmente se sinta em casa.”
Em uma cidade que recebe visitantes de todo o mundo para admirar seu extraordinário patrimônio artístico, o novo endereço propõe uma experiência diferente: a possibilidade de habitar, ainda que temporariamente, um pedaço da história de Florença.



Reportagem: Check Hotels
Entrevista exclusiva: Grégory Marciano, proprietário do Palazzo Segni, La Réserve Firenze.









