Em Veneza, onde praticamente tudo parece carregar alguns séculos de história, o Aman acaba de criar uma experiência gastronômica que aposta justamente no oposto da grandiosidade: apenas oito lugares.
O Aman Venice acaba de inaugurar o Palazzo Kitchen Table, uma nova experiência comandada pelo chef executivo Matteo Panfilio dentro do Palazzo Papadopoli, palácio do século XVI às margens do Grande Canal que abriga o hotel.
E talvez esteja justamente aí o charme da novidade. Em vez de um grande salão, os oito convidados se acomodam ao redor de um balcão aberto, em estilo teppanyaki, acompanhando de perto o preparo de um menu degustação de dez etapas.
A inspiração vem da filosofia japonesa do omakase, mas o território continua sendo essencialmente veneziano.

Veneza encontra o Japão
Panfilio parte de alguns dos melhores ingredientes sazonais encontrados no Vêneto para construir o menu. Entram nessa seleção as famosas alcachofras-violetas cultivadas na ilha de Sant’Erasmo, ervas silvestres da costa de Cavallino e pescados e frutos do mar provenientes do Adriático.
É na cozinha que Veneza encontra o Japão.
Técnicas como teppanyaki e yakiniku são utilizadas para interferir o mínimo possível na identidade dos ingredientes. Na chapa, o calor intenso ajuda a preservar seus sucos naturais; na grelha japonesa, surgem notas discretamente defumadas e uma leve caramelização. Molhos e temperos japoneses aparecem de maneira pontual, sem tirar o protagonismo dos produtos locais.
O resultado é uma cozinha que não pretende simplesmente colocar Itália e Japão no mesmo prato, mas encontrar pontos de contato entre duas culturas que compartilham um enorme respeito pela matéria-prima, pela sazonalidade e pela precisão.

Uma mesa para oito
Há também algo interessante na própria escala escolhida pelo Aman.
Em um momento em que hotéis de luxo disputam atenção com restaurantes cada vez maiores, cenográficos e fotografáveis, o Palazzo Kitchen Table segue outra direção. São somente oito lugares e um contato praticamente direto com quem está preparando cada prato.
É uma experiência que se aproxima mais de um jantar privado dentro do palácio do que de uma ida convencional a um restaurante.
Para acompanhar o menu de dez etapas, o hotel oferece harmonização selecionada a partir de sua adega. Quem quiser levar a experiência alguns passos adiante também poderá escolher rótulos raros da Master’s Collection.

Um Aman dentro de um palácio veneziano
O endereço, claro, ajuda a entender por que essa experiência chama nossa atenção.
O Aman Venice ocupa o histórico Palazzo Papadopoli, de frente para o Grande Canal. É uma daquelas propriedades em que a arquitetura não funciona apenas como cenário para o hotel — ela faz parte da experiência.
E colocar oito hóspedes diante de um chef, dentro de um palácio veneziano de aproximadamente cinco séculos, talvez seja uma boa tradução da maneira como o Aman entende luxo: menos pela quantidade e mais pelo acesso, pela privacidade e pela sensação de estar vivendo algo que poucas pessoas poderão experimentar ao mesmo tempo.
Fundado em 1988, a partir do Amanpuri, na Tailândia, o Aman construiu boa parte de sua reputação justamente em torno dessa ideia de hospitalidade extremamente reservada. Hoje, o grupo reúne hotéis, resorts e residências em alguns dos destinos mais emblemáticos do mundo e também ampliou seu universo para áreas como skincare, fragrâncias, moda e interiores.
O grupo também criou a Janu, sua segunda bandeira de hospitalidade, que estreou em 2024 com o Janu Tokyo.
No Palazzo Kitchen Table, porém, a lógica volta à essência que tornou o Aman conhecido: poucos lugares, serviço muito próximo e a impressão de que aquela experiência foi criada quase exclusivamente para quem está ali.















