Como um antigo campo de concentração virou hotel cinco estrelas

Mamula Island by Banyan Tree | Foto: divulgação
Mamula Island by Banyan Tree | Foto: divulgação

Durante décadas, a pequena ilha de Mamula, localizada na entrada da Baía de Kotor, em Montenegro, carregou uma das histórias mais delicadas do Mar Adriático.

Construída no século XIX como uma fortaleza militar austro-húngara, a ilha ganhou um capítulo ainda mais sombrio durante a Segunda Guerra Mundial, quando foi transformada em campo de concentração e prisão pelas forças fascistas italianas. Milhares de prisioneiros passaram pelo local entre 1942 e 1944, em condições consideradas brutais por historiadores e sobreviventes.

Hoje, porém, o cenário é completamente diferente, e também motivo de um intenso debate internacional.

Após cerca de sete anos de restauração e investimentos milionários, a antiga fortaleza foi transformada em um hotel boutique de ultra luxo no Adriático. O empreendimento foi inaugurado originalmente em 2023 e rapidamente passou a chamar atenção do mercado internacional pela combinação entre arquitetura histórica, isolamento, wellness e hospitalidade de alto padrão.

Em julho de 2025, o projeto ganhou ainda mais relevância global ao passar oficialmente para o portfólio do Banyan Group, tornando-se o Mamula Island by Banyan Tree, movimento que marcou a entrada da companhia asiática no mercado europeu.

Piscina do Mamula Island by Banyan Tree Pool | Foto: divulgação
Piscina do Mamula Island by Banyan Tree Pool | Foto: divulgação

Hoje, o hotel possui apenas 32 acomodações distribuídas dentro das estruturas históricas da antiga fortaleza, além de spa, restaurantes, experiências de wellness, piscinas e acesso exclusivamente por barco ou helicóptero.

Mas o empreendimento nunca deixou de ser controverso.

Desde o anúncio da transformação da ilha em hotel de luxo, organizações históricas e grupos ligados à preservação da memória da guerra criticaram a ideia de converter um antigo campo de concentração em destino turístico de alto padrão.

Os principais questionamentos envolvem justamente o limite ético entre preservação histórica e exploração comercial. Críticos argumentam que transformar um lugar marcado por sofrimento em uma experiência de luxo pode suavizar ou até apagar parte da memória do local.

Os responsáveis pelo projeto defendem outra visão.

Panoramic Room do Mamula Island by Banyan Tree Pool | Foto: divulgação
Panoramic Room do Mamula Island by Banyan Tree Pool | Foto: divulgação
Mamula Island by Banyan Tree - Sky Suite Sea View | Foto: divulgação
Mamula Island by Banyan Tree – Sky Suite Sea View | Foto: divulgação

Segundo os desenvolvedores, a restauração preservou grande parte da arquitetura original da fortaleza e criou espaços dedicados à memória histórica da ilha, evitando o abandono de uma estrutura que permanecia deteriorada há décadas.

Por trás do empreendimento está o Banyan Group, uma das companhias de hospitalidade de luxo mais influentes do mundo atualmente.

Fundado em Singapura e listado na Bolsa de Valores de Singapura (SGX: B58), o grupo se define como uma empresa global independente de hotelaria com propósito, conhecida por unir experiências de luxo, sustentabilidade e turismo regenerativo.

Hoje, o Banyan Group reúne cerca de 100 hotéis e resorts, mais de 140 spas e galerias, além de mais de 20 residências de marca espalhadas por mais de 20 países. O conglomerado opera 13 marcas globais diferentes, incluindo Banyan Tree, Angsana, Cassia, Dhawa, Garrya e Homm.

Mas o que realmente diferencia a companhia dentro da hotelaria internacional é sua narrativa de “luxo consciente”.

Desde sua fundação, o grupo construiu sua identidade em torno do princípio “Embracing the Environment, Empowering People” (“Abraçar o Meio Ambiente, Empoderar Pessoas”), filosofia que se tornou um dos pilares centrais da marca.

Essa visão é aplicada através de iniciativas ligadas à Banyan Global Foundation e à Banyan Academy, estruturas responsáveis por programas de sustentabilidade, preservação cultural, impacto comunitário e capacitação profissional.

O grupo também se posiciona hoje como um dos principais defensores do chamado turismo regenerativo — conceito que vai além da sustentabilidade tradicional e busca criar experiências capazes de gerar impacto positivo nos destinos onde opera.

E talvez exista uma ironia curiosa nisso tudo.

Porque a mesma companhia que construiu sua reputação global baseada em bem-estar, consciência ambiental e experiências transformadoras agora se vê no centro de um dos debates mais delicados da hotelaria contemporânea: até onde é possível transformar lugares marcados pela tragédia em destinos de luxo?

Mamula Island by Banyan Tree - Boka Bay Entrance View | Foto: divulgação
Mamula Island by Banyan Tree – Boka Bay Entrance View | Foto: divulgação

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