
Um dos endereços mais emblemáticos de Nova York está prestes a fechar suas portas por um longo período. O lendário The Plaza Hotel, localizado na esquina da Quinta Avenida com a Central Park South, anunciou que suspenderá suas operações em janeiro de 2027 para uma ampla restauração de sua fachada histórica. A previsão é que as obras durem pelo menos quatro anos, com reabertura estimada para 2031 ou posteriormente.
O anúncio, feito em 14 de outubro de 2026, ganhou repercussão internacional. Inaugurado em 1907, o Plaza completa 119 anos em 2026 e ocupa um lugar singular na história de Manhattan. Seus salões receberam chefes de Estado, estrelas de Hollywood, magnatas, escritores e artistas que ajudaram a construir a reputação do hotel como um dos grandes símbolos da alta sociedade americana.

A administração informou que a complexidade da restauração, somada às exigências de preservação patrimonial, torna inviável manter o empreendimento funcionando durante a intervenção. O orçamento e o cronograma detalhado das obras ainda não foram divulgados.
O HOTEL QUE CONQUISTOU HOLLYWOOD
A relação do Plaza com o cinema atravessa gerações. Em 1959, Alfred Hitchcock utilizou o hotel como cenário de Intriga Internacional, estrelado por Cary Grant. Em 1992, o edifício ganhou projeção entre uma nova geração de espectadores com Esqueceram de Mim 2: Perdido em Nova York. Na produção, Kevin McCallister, personagem de Macaulay Culkin, utiliza o cartão de crédito do pai para se hospedar no luxuoso hotel. O filme ainda conta com uma participação de Donald Trump, então proprietário do Plaza.

O endereço também aparece em produções como Nosso Amor de Ontem (1973), com Barbra Streisand e Robert Redford; Sintonia de Amor (1993), com Meg Ryan e Tom Hanks; e Noivas em Guerra (2009), estrelado por Anne Hathaway e Kate Hudson.

O Plaza também integra o universo de O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald, publicado em 1925. No romance, uma suíte do hotel serve de cenário para o confronto entre Jay Gatsby e Tom Buchanan, um dos momentos decisivos da narrativa. A passagem foi recriada na adaptação cinematográfica de 2013, estrelada por Leonardo DiCaprio.

DOS BEATLES AO BAILE MAIS FAMOSO DO SÉCULO
Em fevereiro de 1964, os Beatles se hospedaram no Plaza durante sua primeira viagem aos Estados Unidos, às vésperas da histórica apresentação no programa de Ed Sullivan. A presença de John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr provocou uma multidão de fãs diante do hotel, em um dos episódios mais emblemáticos da chamada Beatlemania.

Dois anos depois, em novembro de 1966, o escritor Truman Capote escolheu o Grand Ballroom para realizar seu lendário Black and White Ball. O baile de máscaras, organizado em homenagem à editora Katharine Graham, reuniu cerca de 500 convidados, entre eles Frank Sinatra, Mia Farrow, Andy Warhol e integrantes das famílias mais influentes de Nova York. A festa entrou para a história como um dos acontecimentos sociais mais comentados do século XX.

O Plaza também recebeu personalidades como Elizabeth Taylor, Richard Burton e Greta Garbo. No antigo Persian Room, espaço dedicado a apresentações musicais e espetáculos, passaram artistas como Marlene Dietrich, Eartha Kitt, Peggy Lee e Duke Ellington.
Em 1956, Marilyn Monroe protagonizou outro episódio que entrou para o folclore do hotel. Durante uma aparição pública, uma das alças de seu vestido se rompeu diante dos fotógrafos, gerando ampla repercussão na imprensa. O próprio Plaza registra a história em seu arquivo de acontecimentos memoráveis.
DA MODA À ARQUITETURA: UM ENDEREÇO DE PRIMEIRAS VEZES
Em 1995, o Plaza recebeu a primeira edição do Victoria’s Secret Fashion Show, evento que posteriormente se transformaria em um dos desfiles de moda mais conhecidos do mundo. Para a ocasião, a fachada do hotel foi iluminada em tons de violeta.

Outro personagem ilustre que fez do Plaza sua residência foi Frank Lloyd Wright. O arquiteto americano ocupou suítes do hotel durante os anos em que acompanhou a construção do Museu Solomon R. Guggenheim, inaugurado em 1959, também em Nova York.


Projetado por Henry Janeway Hardenbergh, responsável por outros edifícios históricos da cidade, o Plaza apresenta uma arquitetura inspirada nos grandes palácios franceses. Seu exterior monumental, com 18 pavimentos, tornou-se parte inseparável da paisagem ao redor do Central Park.

Nos interiores, o Palm Court permanece como um dos ambientes mais reconhecidos da propriedade, famoso pelo tradicional chá da tarde. O Grand Ballroom, por sua vez, consolidou-se como endereço de casamentos, bailes beneficentes e grandes celebrações.
DONALD TRUMP, UM ACORDO HISTÓRICO E NEGÓCIOS MILIONÁRIOS
O hotel também teve participação em acontecimentos relevantes da economia mundial. Em setembro de 1985, ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais de cinco grandes economias, Estados Unidos, Japão, Alemanha Ocidental, França e Reino Unido, reuniram-se no Plaza para formalizar o acordo que ficou conhecido como Plaza Accord. A iniciativa buscava promover uma desvalorização coordenada do dólar americano e entrou para a história das relações financeiras internacionais.

Em 1988, Donald Trump adquiriu o hotel por aproximadamente US$ 390 milhões. Durante sua gestão, o Plaza continuou recebendo festas e eventos de grande repercussão, incluindo o casamento do empresário com Marla Maples, realizado no Grand Ballroom em 1993.


Atualmente, a propriedade pertence à Katara Hospitality, grupo de investimentos hoteleiros do Catar, e é administrada pela Fairmont Hotels & Resorts, do grupo Accor.
CASAMENTOS AFETADOS E CENTENAS DE FUNCIONÁRIOS DIANTE DA PARALISAÇÃO
O fechamento terá consequências importantes para a operação do empreendimento. O Plaza dispõe de 282 acomodações, incluindo 102 suítes, além de 181 residências privadas.
Casamentos e eventos programados para o período das obras estão entre os compromissos afetados. A notícia ganhou repercussão na imprensa americana após casais relatarem a necessidade de encontrar novos locais para celebrações já planejadas.
A paralisação também afetará os funcionários. Segundo informações divulgadas pelo sindicato da categoria, 378 trabalhadores sindicalizados terão direito de retornar aos seus postos, com a remuneração anterior, quando o hotel reabrir.
Ainda não foram detalhadas todas as medidas relativas aos moradores das residências privadas e aos demais serviços instalados no edifício.
NÃO É A PRIMEIRA VEZ QUE O PLAZA FECHA
Entre 2005 e 2008, o hotel já havia interrompido suas operações para uma grande reforma, estimada em US$ 450 milhões. A intervenção transformou parte do edifício em residências privadas e remodelou instalações históricas, mantendo o Plaza entre os endereços mais valorizados de Manhattan.
A nova restauração terá como prioridade a preservação da fachada, protegida pelas normas de conservação arquitetônica da cidade. Uma inspeção municipal recente identificou condições de insegurança em elementos externos do edifício, embora as autoridades tenham esclarecido que essa classificação, isoladamente, não determina a necessidade de fechamento integral do hotel.
A administração optou pela suspensão das operações diante da dimensão dos trabalhos previstos.


NOVA YORK SEM O PLAZA ATÉ PELO MENOS 2031
A interrupção representa um capítulo significativo para a hotelaria de luxo americana. Durante pelo menos quatro anos, um dos hotéis mais fotografados, filmados e celebrados do planeta deixará de receber hóspedes.
O edifício continuará ocupando seu lugar privilegiado diante do Central Park, mas os salões que testemunharam algumas das festas mais famosas do século XX, os corredores percorridos por astros de Hollywood e as suítes que receberam gerações de personalidades permanecerão fora da rotina hoteleira.
Com quase 120 anos de história, o Plaza se prepara para uma das maiores intervenções de sua trajetória. O desafio será preservar a arquitetura de um patrimônio mundialmente reconhecido e assegurar que o hotel retorne à cena nova-iorquina sem perder os elementos que o transformaram em uma lenda.









