Do sonho olímpico à falência: a turbulenta história do hotel da Barra Da Tijuca que já carregou o nome Trump

Fachada do LSH Barra Hotel | Foto: Divulgação
Fachada do LSH Barra Hotel | Foto: Divulgação

Inaugurado às vésperas das Olimpíadas de 2016, o antigo Trump Hotel Rio nasceu como uma das maiores apostas da hotelaria de luxo na Barra da Tijuca. Naquele momento, o empreendimento simbolizava a expansão internacional vivida pela região, que buscava consolidar sua imagem como um novo eixo sofisticado e cosmopolita do Rio de Janeiro.

A chegada da marca Trump acontecia dois anos após o encerramento das operações do Sheraton Barra, até então uma das principais referências de hotelaria internacional de luxo no bairro. Sem uma grande bandeira global no segmento cinco estrelas, a Barra via no novo empreendimento uma tentativa de reposicionar a região no mercado de hospitalidade de alto padrão.

O hotel foi desenvolvido pela LSH Barra S/A, empresa ligada ao empresário Paulo Figueiredo, através de um contrato de licenciamento com a Trump Hotel Collection. O projeto também contava com investimentos de fundos de pensão estaduais e do BRB.

Além do peso da marca Trump, o empreendimento chegava em um momento importante para a Barra, que havia perdido anos antes uma de suas principais referências de hotelaria internacional após a saída da bandeira Sheraton da região.

Funcionários trabalham no Hotel Trump no Rio de Janeiro, Brasil, em 14 de dezembro de 2016 | Foto:  (AP/Silvia Izquierdo)
Funcionários trabalham no Hotel Trump no Rio de Janeiro, Brasil, em 14 de dezembro de 2016 | Foto: (AP/Silvia Izquierdo)

Mas tudo mudou rapidamente.

Ainda em dezembro de 2016, poucos meses após a inauguração, a organização Trump rompeu o contrato de licenciamento após o hotel aparecer nas investigações da Operação Greenfield, que apurava supostos desvios de recursos de fundos de pensão aplicados no empreendimento.

Sem a bandeira internacional, o hotel passou a operar como LSH Barra Hotel e enfrentou dificuldades em meio à queda do movimento pós-Olimpíadas, baixa ocupação e uma longa crise financeira.

Em 2019, a empresa entrou em recuperação judicial.

Fachada do LSH Barra Hotel, antigo Trump Hotel, no Rio de Janeiro | Foto: Pilar Olivares/Reuters
Fachada do LSH Barra Hotel, antigo Trump Hotel, no Rio de Janeiro | Foto: Pilar Olivares/Reuters

Já em fevereiro de 2024, a rede Laghetto assumiu a operação do empreendimento, que passou a se chamar Laghetto Lifestyle Collection. Localizado na orla da Barra da Tijuca, o hotel possui 150 apartamentos com vista para o mar ou para a Pedra da Gávea, além de serviço exclusivo de praia para hóspedes.

Em janeiro de 2025, a Justiça do Rio decretou a falência da LSH Barra após impasses envolvendo o plano de recuperação judicial e os credores da empresa.

Poucas semanas depois, porém, a decisão foi suspensa pelo Tribunal de Justiça do Rio, mantendo o empreendimento em recuperação judicial enquanto a disputa segue sendo analisada.

Hoje, quase dez anos após sua inauguração, o antigo Trump Hotel Rio se tornou um dos casos mais emblemáticos da hotelaria carioca recente, reunindo luxo, Olimpíadas, crise financeira, disputas judiciais e batalhas milionárias em torno de um dos endereços mais simbólicos da Barra da Tijuca.

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