
Em Dubrovnik, na Croácia, um antigo hotel de luxo permanece como uma das lembranças mais visíveis de um capítulo trágico da história do país. Construído sobre uma encosta com vista para o Mar Adriático e para o centro histórico da cidade, o Hotel Belvedere foi inaugurado em 1985 com a proposta de oferecer uma experiência sofisticada em um dos destinos mais procurados da antiga Iugoslávia.

O empreendimento tinha mais de 200 quartos, heliponto e um píer privativo para embarcações. Sua arquitetura monumental, distribuída pela encosta rochosa, aproveitava a localização privilegiada e a vista panorâmica para a ilha de Lokrum e para as muralhas de Dubrovnik.
Mas a história do Belvedere como hotel durou apenas seis anos.
Da sofisticação aos bombardeios
Em 1991, com o início da Guerra de Independência da Croácia, Dubrovnik foi cercada e atacada pelo Exército Popular Iugoslavo. A cidade, cujo centro histórico é reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 1979, sofreu intensos bombardeios que atingiram monumentos, residências e empreendimentos turísticos.
O Belvedere estava entre os alvos. Em novembro daquele ano, o jornal americano The Washington Post noticiou que embarcações militares iugoslavas haviam bombardeado o hotel, localizado sobre uma falésia próxima ao porto de Dubrovnik.
A estrutura ficou gravemente danificada e o empreendimento encerrou suas atividades. Durante o conflito, suas instalações também serviram de abrigo para refugiados croatas. Desde então, o hotel nunca mais recebeu hóspedes.

De hotel abandonado a cenário de Game of Thrones
Décadas depois, o Belvedere ganhou uma nova aparição internacional, desta vez na televisão.
As ruínas foram utilizadas como locação de Game of Thrones, na quarta temporada da série. O antigo anfiteatro do hotel serviu de cenário para o combate entre Oberyn Martell e Gregor Clegane, conhecido como Montanha, em uma das sequências mais marcantes da produção.

A participação na série acrescentou uma nova camada de interesse ao edifício, que já atraía a atenção de fotógrafos e praticantes de exploração urbana, atividade conhecida como urbex.
Hoje, porém, o Belvedere não funciona como atração turística aberta à visitação. O Atlas Obscura informa que o complexo está permanentemente fechado e não é acessível a visitantes.

A localização do Belvedere, a aproximadamente 1,8 quilômetro do centro histórico de Dubrovnik, despertou interesse em projetos de requalificação. Documentos da prefeitura registram propostas para revitalizar o terreno e desenvolver um novo complexo turístico de alto padrão. O projeto também passou por análise de impacto patrimonial do ICOMOS, órgão consultivo da UNESCO, devido à proximidade com o conjunto histórico protegido da cidade.
Apesar dos planos apresentados ao longo dos anos, não foi possível confirmar um cronograma atualizado para a reconstrução ou a reabertura do empreendimento.

Enquanto Dubrovnik consolidou sua presença no turismo internacional e recuperou grande parte dos danos sofridos durante a guerra, o Belvedere permanece como um contraste na paisagem: um antigo símbolo de luxo que nunca voltou a abrir suas portas.
Entre paredes destruídas e terraços voltados para o Adriático, o hotel preserva uma história que vai muito além da hospitalidade. É também um testemunho de como a guerra pode interromper, de maneira definitiva, a trajetória de um lugar.









