Um dos hotéis de luxo mais conhecidos de São Paulo, o Tivoli Mofarrej, está no centro de uma polêmica após ser condenado pela Justiça em um caso envolvendo abordagem considerada racista contra um advogado negro durante um evento realizado dentro do hotel.
O caso aconteceu em setembro de 2024. Segundo o processo, o advogado José Luiz de Oliveira Junior afirmou ter sido constrangido por um segurança após já ter realizado seu credenciamento no evento jurídico que acontecia no local. A Justiça determinou indenização de R$ 20 mil por danos morais.
O episódio rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais e reacendeu debates sobre racismo estrutural e seletividade em ambientes ligados ao luxo e à alta sociedade.
Apesar da condenação, é importante destacar que o Tivoli Mofarrej é considerado por muitos um dos melhores hotéis da capital paulista, reconhecido pelo alto padrão de serviço, gastronomia e hospitalidade. Ainda assim, situações como essa inevitavelmente impactam a imagem de qualquer empreendimento de luxo e levantam discussões importantes sobre treinamento, acolhimento e inclusão.
Talvez este seja um momento importante para reflexão. Em tempos onde diversidade e inclusão deixaram de ser apenas discurso institucional para se tornarem compromissos reais esperados pela sociedade, reconhecer falhas também faz parte do processo de evolução. Casos como esse precisam servir de aprendizado não apenas para um hotel, mas para todo o setor de hospitalidade e luxo no Brasil.
Como disse Angela Davis: “Numa sociedade racista, não basta não ser racista, é necessário ser antirracista.”
A Check Hotels procurou o hotel para apurar o caso e recebeu a seguinte manifestação oficial:
“O hotel lamenta o desconforto relatado pelo autor e reforça que não compactua com qualquer forma de discriminação. A decisão não reconhece prática racista por parte do Tivoli Mofarrej São Paulo ou de seus colaboradores, tratando o caso como uma questão relacionada à forma de abordagem durante procedimento de verificação de credenciamento exigido pelo cliente contratante do evento. Na ocasião, o acesso ao evento exigia o uso de credencial em local visível, protocolo padrão aplicado a todos os participantes. A abordagem ocorreu nesse contexto, uma vez que o autor não utilizava a credencial naquele momento. O hotel reafirma seu compromisso contínuo com o respeito, a diversidade e a inclusão.”
O Tivoli Mofarrej São Paulo informa que irá recorrer da decisão.
O caso segue repercutindo no mercado hoteleiro e entre frequentadores do segmento de luxo, especialmente por envolver um empreendimento de prestígio internacional em uma discussão tão sensível e necessária.
