Poucos lugares carregam tanto simbolismo em Salvador quanto a Rua Chile. Considerada a primeira rua do Brasil, ela já foi endereço do poder, dos negócios e da vida social da cidade. Durante décadas, viu seu protagonismo diminuir. Agora, a história parece seguir outro caminho.
Empresários da região anunciaram nesta semana a criação da Associação da Rua Chile e Entorno (ARCE), iniciativa que reúne representantes de hotéis, centros culturais, galerias, restaurantes e empreendimentos instalados na área. O objetivo é colaborar com ações voltadas para segurança, conservação urbana, valorização do patrimônio histórico e promoção do destino.
A movimentação acontece em uma região que passou por mudanças importantes nos últimos anos. A chegada de projetos como o Hotel Fasano Salvador e o Fera Palace ajudou a recolocar a Rua Chile no radar de moradores, investidores e visitantes. Os dois hotéis ocupam edifícios históricos restaurados e participam diretamente da nova dinâmica do Centro Histórico da capital baiana.
Segundo dados apresentados pela associação, aproximadamente R$ 1 bilhão já foi investido pelo setor público e pela iniciativa privada em empreendimentos concluídos ou em desenvolvimento na Rua Chile e arredores. Entre eles estão hotéis, residenciais, espaços culturais, restaurantes e projetos de recuperação patrimonial
“Este evento é o ponto de partida da nova fase do desenvolvimento desse território, no qual apresentamos nossa disposição para o diálogo e o trabalho conjunto. Nosso papel é ser um parceiro ativo e propositivo do poder público e privado, articulando demandas e colaborando de forma efetiva para que a primeira rua do Brasil e seu entorno recebam a atenção que sua importância histórica e econômica merece, além de resgatar o senso de pertencimento dos soteropolitanos em relação ao Centro Histórico”, afirma Antonio Barretto Junior, presidente da ARCE e diretor do Grupo Prima, empresa proprietária do Hotel Fasano Salvador.
O momento atual lembra uma tendência observada em diversos destinos internacionais, onde hotéis instalados em edifícios históricos acabam funcionando como âncoras para a recuperação de bairros inteiros. A presença de visitantes, novos negócios e investimentos costuma atrair outros projetos e estimular a ocupação da região.
Na Rua Chile, esse processo já pode ser percebido. Além do Fasano e do Fera Palace, novos empreendimentos continuam surgindo no entorno, enquanto edifícios históricos passam por processos de restauração e reocupação.
Para a hotelaria brasileira, o caso merece atenção. Poucas ruas conseguem reunir, ao mesmo tempo, relevância histórica, patrimônio arquitetônico e potencial turístico. Em Salvador, a Rua Chile volta a ocupar um lugar de destaque. E a hotelaria tem participação importante nessa nova fase.
Talvez a Rua Chile nunca tenha deixado de ser importante. Salvador apenas começou a olhar para ela novamente.



