Quando se pensa em brasilidade, especialmente dentro de uma festa clássica realizada em um hotel tombado, patrimônio histórico do Rio, centenário e símbolo máximo do glamour nacional, é de se esperar uma constelação de nomes que representem, de fato, a grandeza da nossa cultura.
O tradicional baile do icônico Copacabana Palace sempre foi palco de encontros históricos, onde arte, moda, música e memória cultural se misturavam sob seus lustres imponentes. Este ano, os salões estavam lotados, o luxo impecável, o calor intenso. A proposta falava em diversidade brasileira. Mas, olhando com atenção, faltaram justamente aqueles artistas medalhão, nomes que atravessam gerações e ajudam a contar quem somos.

Quem trouxe aura e história foi Jorge Ben Jor – presença que por si só já carrega um capítulo da música brasileira. Sua passagem foi quase natural, afinal, estando hospedado no hotel, bastou atravessar o corredor para marcar território. Assim como o grande ator Antônio Pitanga, que estava ali porque era o pai da Rainha da festa.
Já Ricky Martin chegou até a porta do evento – mas não entrou. Também hospedado no hotel, ficou no quase.

Entre tantas presenças, quem realmente traduz o espírito do Carnaval carioca é Isabelita dos Patins, símbolo absoluto de irreverência, liberdade e diversidade muito antes dessas palavras virarem tendência. Figura histórica da cena cultural do Rio, atravessa décadas celebrando a alegria e a ousadia que ajudaram a construir o próprio imaginário do Baile do Copa. Ainda assim, curiosamente, pareceu receber menos holofotes do que muitos influencers recém-chegados ao tapete vermelho.
Foi uma noite vibrante, cheia, bonita. Mas quando se fala em brasilidade, tradição e patrimônio cultural, talvez se espere mais do que salões abarrotados, espera-se relevância.
Se há algo que permanece inquestionável, no entanto, é o padrão de serviço do hotel. Mesmo com o prédio lotado e os ambientes cheios, a operação funcionou com precisão admirável. A gastronomia, como sempre, impecável: ilhas fartas, reposição constante, variedade e qualidade à altura da tradição da casa. As bebidas circularam sem interrupção, bem servidas, mantendo o ritmo da festa.
Independentemente de terem pago pelos convites — que variavam entre cerca de R$ 3 mil e R$ 6 mil na pista — ou de estarem ali como convidados, todos puderam comer e beber à vontade, com organização e padrão cinco estrelas.
Porque se o brilho das estrelas pode oscilar ao longo dos anos, o serviço do Copa segue sendo um dos grandes protagonistas da noite.










