Durante quase duas décadas, o Park Hyatt Tokyo ocupou um lugar singular no imaginário de viajantes, cinéfilos e arquitetos. Não apenas por estar entre os hotéis mais sofisticados do Japão, mas por ter sido o cenário de “Encontros e Desencontros” (2003), filme de Sofia Coppola que transformou corredores, janelas e bares em personagens. Agora, após 19 meses fechado para uma renovação profunda, o hotel reabre propondo uma pergunta delicada: como atualizar um ícone sem apagar sua memória?

A resposta passa menos pelo espetáculo e mais pela precisão.

Park Hyatt Tokyo | Foto: Divulgação
Park Hyatt Tokyo | Foto: Divulgação

Localizado nos andares superiores da Shinjuku Park Tower, edifício assinado por Kenzo Tange, o Park Hyatt Tokyo manteve sua posição física – do 39º ao 52º andar – e simbólica: observar a cidade de cima, em silêncio. O projeto de renovação, liderado pelo estúdio francês Jouin Manku, evitou rupturas. Em vez disso, trabalhou com camadas… design, arte japonesa contemporânea e materiais que conversam com o tempo.

Os 171 quartos do hotel, incluindo 29 suítes, foram completamente redesenhados. A mudança é perceptível no uso mais contido de cores – preto antracite e verde profundo dominam a paleta – e na valorização de texturas naturais. Madeira, mármore e tecidos artesanais aparecem em equilíbrio calculado. As luminárias de papel washi assinadas por Isamu Noguchi reforçam o diálogo com o design japonês clássico, enquanto móveis sob medida suavizam a escala generosa dos ambientes.

Park Hyatt Tokyo | Foto: Divulgação
Park Hyatt Tokyo | Foto: Divulgação
Park Hyatt Tokyo | Foto: Divulgação
Park Hyatt Tokyo | Foto: Divulgação

A arte, aliás, ganha protagonismo. Obras comissionadas do artista japonês Yoshitaka Echizenya estão espalhadas pelos quartos e áreas comuns, não como ornamento, mas como parte do projeto espacial. É um hotel que convida o hóspede a observar, não apenas ocupar.

Entre as novas categorias de acomodação, a Park Suite chama atenção: são cerca de 85 metros quadrados, com áreas de estar e dormitório separadas e vistas amplas para bairros como Shibuya, Harajuku e o Parque Yoyogi. Já a Suíte Presidencial, no ponto mais alto do edifício, preserva sua vocação quase residencial: piano de cauda, salas múltiplas, mármore abundante e uma banheira voltada para o horizonte urbano.

Park Hyatt Tokyo | Foto: Divulgação
Park Hyatt Tokyo | Foto: Divulgação

Nas áreas gastronômicas, a restauração foi tão cuidadosa quanto simbólica. O New York Grill & Bar, eternizado no cinema, foi restaurado respeitando suas formas originais. Continua no 52º andar, com cozinha aberta, jazz ao vivo e visão de 360 graus de Tóquio – menos como atração turística e mais como ritual noturno. Já o restaurante Girandole passa a operar como brasserie em parceria com o grupo do chef Alain Ducasse, trazendo uma leitura contemporânea da cozinha francesa para dentro do hotel.

Park Hyatt Tokyo | Foto: Divulgação
Park Hyatt Tokyo | Foto: Divulgação
Park Hyatt Tokyo | Foto: Divulgação
Park Hyatt Tokyo | Foto: Divulgação
Park Hyatt Tokyo | Foto: Divulgação
Park Hyatt Tokyo | Foto: Divulgação

Espaços como o The Peak Lounge & Bar, cercado por bambus e coberto por uma estrutura de vidro, retornam com o mesmo espírito contemplativo. O spa e o fitness center, que somam mais de 2.000 metros quadrados, também foram atualizados, assim como a piscina interna e a biblioteca no 41º andar, com mais de dois mil volumes.

Park Hyatt Tokyo | Foto: Divulgação
Park Hyatt Tokyo | Foto: Divulgação

Para a administração do hotel, a renovação não buscou reinventar o Park Hyatt Tokyo, mas reafirmar seu caráter. Aberto originalmente em 1994, o hotel sempre operou em uma frequência mais baixa do que o luxo ostensivo. A reforma reforça essa identidade: luxo entendido como espaço, silêncio, materiais bem escolhidos e tempo.

O resultado é um hotel que continua reconhecível para quem o conheceu antes – inclusive para quem o conheceu primeiro pelo cinema -, mas que agora se ancora com mais clareza na cultura visual japonesa contemporânea.