O padel atravessou fronteiras, reformulou hábitos esportivos e, nos últimos anos, passou a ocupar um território pouco acostumado a modismos passageiros: o da hotelaria de luxo. A ascensão da modalidade é um fenômeno social e, ao mesmo tempo, um exemplo de como a indústria do turismo absorve tendências globais e as transforma em diferencial competitivo!

O que é o padel?
Quadras, raquetes e exclusividade: por que o padel virou símbolo de status na hotelaria | Foto: Reprodução/Freepik
Quadras, raquetes e exclusividade: por que o padel virou símbolo de status na hotelaria | Foto: Reprodução/Freepik

A história do padel ajuda a explicar essa guinada… Embora só tenha explodido mundialmente na última década, o esporte é mais antigo do que parece. Em 1969, Enrique Corcuera construiu a primeira quadra dentro de um hotel em Acapulco, no México, e definiu as regras e medidas que valem até hoje. Mas sua origem remete a décadas antes, quando marinheiros ingleses adaptaram o tênis a espaços reduzidos nos navios, criando um jogo de dimensões menores, cercado por paredes e com ritmo acelerado.

As partidas são sempre disputadas em duplas, com bolas semelhantes às de tênis – mas com pressão diferente – e quadras de 20 metros por 10, delimitadas por vidros e telas. A interação com as paredes redefine completamente a experiência.

Com o tempo, o padel deixou de ser um hábito regional da Espanha e da América Latina para se tornar um fenômeno global com mais de 30 milhões de praticantes. Jon Krieger, fundador e CEO da Cure Companies – proprietária do Padel United Sports Club – analisou essa expansão em entrevista ao Condé Nast Traveler: “Como o esporte que mais cresce no mundo, com mais de 30 milhões de praticantes atualmente, é fácil encontrar um parceiro em quase qualquer lugar para onde você vá.”

“Assim como entusiastas da ioga planejam um retiro, jogadores de padel organizam viagens inteiras em torno do esporte. É sobre manter-se ativo, mergulhar na comida e na cultura locais e conectar-se com pessoas que compartilham a mesma paixão”, acrescentou o empresário.

Esse espírito comunitário – mistura de socialização, bem-estar e estilo de vida – atraiu o tipo de hóspede que passou a dominar o turismo de alto padrão no pós-pandemia: alguém habituado a rotinas fitness, com viagens frequentes e interesse por atividades que façam sentido culturalmente no destino. A hotelaria percebeu a oportunidade, claro!

Como a hotelaria entra no “jogo”?
Quadra de padel em Ritz-Carlton Key Biscayne, Miami | Foto: Divulgação
Quadra de padel em Ritz-Carlton Key Biscayne, Miami | Foto: Divulgação
Quadra de padel no hotel Amanzoe, na Grécia | Foto: Divulgação
Quadra de padel no hotel Amanzoe, na Grécia | Foto: Divulgação

Nos últimos anos, redes de luxo como Aman, Banyan Tree e Ritz-Carlton, além de resorts independentes no Marrocos, Long Island, Palm Beach e Orlando, incorporaram quadras de padel às suas áreas de lazer. E não como mero adorno: são estruturas permanentes, muitas vezes assinadas por marcas esportivas, com iluminação profissional, treinadores residentes e uma programação fixa de clínicas e torneios.

É nesse ponto que o padel se transforma em símbolo de status. O esporte tem um paradoxo sedutor: é fácil de aprender, mas visualmente sofisticado; simples no equipamento, mas esteticamente marcante; democrático na prática, mas cercado por códigos sociais. Ocupa pouco espaço, agrega valor e cria um novo tipo de convivência nos resorts… uma que mistura descontração, estética e performance. É um terreno fértil para o luxo contemporâneo, que se afasta da solenidade e se aproxima de experiências leves, compartilháveis e super autênticas!

Como é no Brasil?

No Brasil, o movimento cresce de forma mais comedida, porém consistente. Exemplos como o Bavária Sport Hotel (Gramado), o Vila Selvagem (Ceará) e o A Concept Hotel & Spa (Búzios) já incluem quadras de padel em suas estruturas, acompanhando o avanço do esporte no país, onde o número de praticantes aumenta desde os anos 1990. Não se trata apenas de seguir uma tendência estrangeira, mas de reconhecer um comportamento real do viajante brasileiro, cada vez mais interessado em combinar natureza, arquitetura e atividade física durante a estadia.

Bavária Sport Hotel e sua quadra de padel | Foto: Reprodução/momondo
Bavária Sport Hotel e sua quadra de padel | Foto: Reprodução/momondo
Vila Selvagem e sua quadra de padel | Foto: Divulgação
Vila Selvagem e sua quadra de padel | Foto: Divulgação
A Concept Hotel & Spa e quadras de padel | Foto: Reprodução/Maior Viagem
A Concept Hotel & Spa e quadras de padel | Foto: Reprodução/Maior Viagem

A presença do padel em resorts de alto padrão mostra um reposicionamento da hotelaria de luxo, hoje orientada por movimento, sociabilidade e experiências que criam vínculos entre hóspedes, culturas e estilos de vida.

No fim, talvez seja por isso que o padel virou sinônimo de status. Não pela estética, mas porque traduz – com uma simplicidade rara – a intenção da hotelaria contemporânea: criar espaços onde o luxo não se impõe, mas acontece.