Em South Beach, Miami nunca se esgota em boas histórias ligadas ao excesso, ao design e ao culto estético que moldou o imaginário americano do luxo tropical. E, nesse caso específico, um hotel boutique discreto, inaugurado no início do ano, gerou uma das polêmicas mais comentadas do turismo de alto padrão em 2025: o Donatella Boutique Hotel & Restaurant. Pequeno, silencioso, mediterrâneo e localizado a poucos quarteirões da antiga mansão de Gianni Versace, ele se tornou centro de burburinhos, não por causa de serviço, tarifas ou experiência e sim por causa do nome!
O hotel não tem qualquer participação ou anuência de Donatella Versace, e ela fez questão de deixar isso público antes mesmo da abertura. A estilista publicou no Instagram que a tentativa de capitalizar sua tragédia e seu nome para fins comerciais era “vergonhosa”. “Quero deixar claro: o hotel e o restaurante chamados ‘Donatella’, localizados perto do lugar [Casa Casuarina – hoje transformada em hotel pela família Nakash] onde meu irmão foi assassinado, não têm – e jamais terão – qualquer relação comigo ou com a minha família. Tentar lucrar em cima da nossa tragédia e do meu nome é vergonhoso”, escreveu.
:max_bytes(150000):strip_icc():focal(749x0:751x2)/Gianni-and-Donatella-Versace-at-a-Versace-fashion-show-28-23011993-4ec56864bcf1405a8c9acdd66c1b9101.jpg)
A narrativa de Miami, portanto, ganhou uma camada cultural e histórica rara: dois hotéis que dividem proximidade física e, inevitavelmente, tensão simbólica. A Villa Casa Casuarina segue maximalista, saturada, instagramável, turisticamente amplificada pela memória Versace.

Já o Donatella vai para o extremo oposto com seis quartos discretos, tons neutros, um mediterrâneo despojado que mais lembra um spa sofisticado do que uma passarela dourada.


Os gestores negam vínculo com Versace e afirmam que o nome reflete apenas uma visão mediterrânea de elegância. E, de fato, o hotel não replica iconografias ligadas à Medusa, ao barroco, ao ouro ou aos códigos estéticos que tornaram Versace um símbolo pop. Mas a escolha do nome sustenta um debate cada vez mais relevante no setor: até onde um hotel pode ir usando um nome famoso para se beneficiar, antes de isso se tornar exploração indevida dessa fama, dessa história e dessa identidade?
