O que era para ser uma semana de férias em Nova York virou um pesadelo para turistas e trabalhadores da rede LuxUrban Hotels. Três propriedades da marca – o Tuscany Hotel, Hotel 27 e o The Herald – fecharam as portas de forma repentina, sem aviso prévio, deixando hóspedes do mundo inteiro sem teto e funcionários supostamente sem salário!

Portas foram trancadas e hóspedes desamparados

A cena se repetiu com dezenas de turistas. Eliza Simopoulou e o irmão, Tasos, vindos da Grécia, desembolsaram US$ 2.070 por uma semana no Tuscany Hotel by LuxUrban, em Midtown, famoso pela vista para o Empire State. Ao chegarem, encontraram apenas um bilhete colado na porta: o hotel havia sido interditado por ordem do Corpo de Bombeiros, devido a falhas de segurança e abandono da antiga gestão.

Tuscany Hotel by LuxUrban | Foto: Reprodução
Tuscany Hotel by LuxUrban | Foto: Reprodução

“Somos jovens e não somos ricos”, reclamou Eliza ao The New York Times, detalhando a situação assustadora. O banco já os alertou que o reembolso pode demorar meses!

O jornalista James Bricknell, do site norte-americano CNET, também foi surpreendido após voar da Virgínia para três dias de trabalho em Manhattan. “Se tivessem cancelado minha reserva, mesmo na última hora, eu teria conseguido me organizar”, disse também ao veículo internacional.

Quartos vazios, sem limpeza e sem equipe

A situação descrita pelos hóspedes era de um hotel em colapso silencioso. O espanhol José Rodriguez também revelou ao NYT que passou dez dias no Herald, com a família vinda das Ilhas Canárias, sem ver outros hóspedes e sem nenhum serviço de arrumação. “Em determinado momento, pediram para que deixássemos uma avaliação negativa do hotel na internet”, relatou.

Já pela CBS New York, o funcionário José Flores, chefe de limpeza do Tuscany, confirmou que parou de trabalhar depois que a empresa deixou de pagar os salários. “Precisamos pagar aluguel, comprar comida. E não temos dinheiro”, lamentou. Outro empregado contou que, em um prédio de 18 andares, restavam apenas dois trabalhadores. “É horrível estar nessa situação. Tenho contas se acumulando. Quero entender como permitem que façam isso com pessoas que trabalham duro”, expressou Sasha Robinson, também do Tuscany.

Suíte do Tuscany Hotel by LuxUrban | Foto: Reprodução
Suíte do Tuscany Hotel by LuxUrban | Foto: Reprodução

Os problemas não se restringiram ao Tuscany. O Hotel 27, em Flatiron, também fechou as portas. Uma família argentina que havia pago mais de US$ 1.400 por cinco noites descobriu na chegada que não teria onde ficar. O Herald, na Herald Square, igualmente foi desativado sem aviso.

Hotel 27 | Foto: Reprodução
Hotel 27 | Foto: Reprodução
Falência e reservas ativas

De acordo com o The New York Times, no domingo anterior aos fechamentos, a LuxUrban entrou com pedido de proteção contra falência pelo Capítulo 11, dispositivo da lei americana que permite que uma empresa em crise continue operando enquanto tenta se reestruturar financeiramente, sob supervisão judicial.

Ainda segundo o jornal, a Prefeitura de Nova York processou a rede em abril, cobrando US$ 1,2 milhão de um acordo referente a aluguéis ilegais de curto prazo (valor que a empresa reconheceu, mas não pagou).

Mesmo assim, dias após os fechamentos, sites como Expedia e Hotels.com ainda aceitavam reservas para hotéis que já estavam desativados.

O que resta para os viajantes?

Segundo Vijay Dandapani, presidente da Hotel Association of New York City, a melhor chance de recuperar o dinheiro está nas operadoras de cartão de crédito. Mas o processo pode ser lento.

Ele explica que há diferenças cruciais: quem já pagou antecipadamente deve acionar o cartão e iniciar um processo de contestação da cobrança, que pode levar meses até ser resolvido. Já quem não havia feito o pagamento antecipado provavelmente não será cobrado, já que não chegou a concluir o check-in, mas ainda assim deve notificar a administradora.

Enquanto isso, turistas como Eliza e Tasos tiveram de procurar outro hotel às pressas, pagando mais caro por uma estadia que deveria estar garantida. “É loucura que isso possa acontecer e pior ainda, que esteja acontecendo com a gente”, disse a jovem grega, já instalada em outra acomodação, tentando salvar as férias.