O Guia Michelin, sinônimo de excelência gastronômica há mais de um século, decidiu ampliar seu alcance e olhar com atenção para outro palco de experiências memoráveis: a hotelaria. No próximo dia 8 de outubro de 2025, em Paris, será revelada a primeira seleção global das Chaves Michelin, distinção que pretende se tornar para os hotéis o que as famosas Estrelas já são para os restaurantes. A cerimônia acontecerá no Musée des Arts Décoratifs, vizinho ao Louvre e ao Jardin des Tuileries.
A avaliação considera cinco critérios universais: se o hotel funciona como porta de entrada para o destino; a excelência em design de interiores e arquitetura; a qualidade e consistência em serviço, conforto e manutenção; a coerência entre experiência e preço; e, por fim, a autenticidade e personalidade de cada projeto.
A distinção se divide em três patamares:
- Uma Chave indica uma estadia muito especial, capaz de se destacar na sua categoria.
- Duas Chaves premiam hotéis excepcionais, com design marcante e experiência memorável.
- Três Chaves são reservadas às estadias extraordinárias, em que o hóspede encontra deslumbramento, estilo e serviço no mais alto nível.
Prêmios Especiais
Além das chaves, o Guia vai estrear quatro prêmios inéditos, também a serem entregues em outubro:
- Architecture & Design, para hotéis cuja estética redefine a experiência da estadia.
- Wellness, voltado a programas inovadores de bem-estar.
- Local Gateway, que valoriza conexões autênticas com a cultura do entorno.
- Opening of the Year, para novas aberturas que impactaram a hotelaria global.
As listas de indicados estão sendo divulgadas gradualmente nas plataformas do Guia. Em 13 de agosto, foram anunciados os finalistas do prêmio de Arquitetura e Design, que concentra os holofotes deste ano.
Os cinco finalistas de Arquitetura e Design
Segundo o site oficial do Guia Michelin, esses são os hotéis selecionados para a categoria, que misturam inovação, sustentabilidade e impacto visual:
- Rosewood São Paulo (Brasil) – instalado no complexo Cidade Matarazzo, o projeto de Jean Nouvel ergue uma torre-jardim de 93 metros, coberta por mais de 10 mil árvores da Mata Atlântica. O hotel combina tradição brasileira e design vanguardista, com 160 quartos, mais de 100 residências, duas piscinas e seis restaurantes. Todos os materiais são locais e o espaço abriga 450 obras de 57 artistas brasileiros, reforçando a filosofia Sense of Place da marca.

- Atlantis The Royal (Dubai) – seis torres interligadas em blocos suspensos, 795 quartos e suítes, jardins suspensos e piscina infinita no 22º andar. Um marco futurista que transforma o conceito de arranha-céu ao criar espaços ventilados e sombreados, como um bairro suspenso.

- Shebara Resort (Arábia Saudita) – com 73 villas em aço inoxidável que refletem o mar, funciona totalmente off-grid, movido a energia solar. Suspenso sobre recifes intactos, alia estética futurista e sustentabilidade radical, sendo comparado às Maldivas em versão high-tech.

- Benesse House (Japão) – ícone do arquiteto Tadao Ando na ilha de Naoshima, mistura hotel e museu em quatro alas com 65 quartos. A proposta minimalista integra natureza, arte e geometria, transformando a hospedagem em uma experiência cultural imersiva.

- Villa Nai 3.3 (Croácia) – esculpida na rocha da ilha de Dugi Otok, tem apenas oito quartos e foi construída com materiais locais retirados do próprio terreno. Cercada por olivais centenários, é quase invisível na paisagem, oferecendo luxo sustentável e intimista.

