Aos 15 anos, Rodrigo Cavalcante entrou no Mercure Curitiba Batel pela porta da lavanderia, dobrando enxovais e aprendendo a tirar manchas. Duas décadas depois, ele chega ao posto de gerente geral de um dos endereços mais charmosos da capital paulista, o Grand Mercure Ibirapuera. A trajetória é para lá de inspiradora, mas o que move Rodrigo vai além dos números de ocupação ou rankings… é a paixão por servir, por formar pessoas e por enxergar os hotéis como espaços de experiências, para hóspedes e para a cidade.
“Lembro como se fosse ontem. Fui recebido pela supervisora de governança, Maria Cristina, e pelo auxiliar de lavanderia, Sr. Jaci Ponciano. Ele foi quem me ensinou minhas primeiras tarefas: desde tirar manchas de enxoval até dobrar roupas de cama e banho. Aprendi também a importância de valorizar os detalhes em cada atividade, por mais simples que parecesse. Essa rotina de trabalho me deu uma base muito sólida, além de me mostrar a relevância de cada área dentro do hotel. Aprendizados que carrego até hoje”, recorda em entrevista ao Check Hotels.
Da pequena Formosa do Oeste ao sonho de liderar
Natural de Formosa do Oeste, no interior do Paraná, Rodrigo cresceu em Curitiba, inspirado pelo esforço dos pais, “referências de honestidade e trabalho”, como ele define.
Seu primeiro contato com a hotelaria veio aos 14 anos, quando começou um curso profissionalizante no CEMADE – Centro de Aprendizagem Profissional Maria Adelaide. “Fiz curso de hotelaria e turismo e, durante esse período, tive a oportunidade de visitar hotéis, o que despertou minha curiosidade e interesse pelo setor. Foi ali que dei meus primeiros passos em direção a essa carreira”, explica.
Depois, atuou como jovem aprendiz na lavenderia do Mercure. Foi ali mesmo que surgiu o desejo de ir além! “Eu observava a gerente geral, Dona Rita Cardia, e me inspirava na forma como ela liderava. Pensava comigo: ‘um dia quero estar nessa posição’. Desde cedo percebi que tinha vocação para servir e que, apesar dos desafios de trilhar esse caminho, eu poderia chegar lá se trabalhasse com paixão e dedicação em cada função que assumisse”, conta, orgulhoso.
O caminho foi longo e plural: mensageiro, recepção, financeiro, RH, manutenção, segurança, operações, alimentos & bebidas…“Essa vivência me permite ter uma visão completa da operação. Mais do que o conhecimento técnico, sei as dores, os desafios e as necessidades de cada área. Isso me ajuda a ser um gerente geral que consegue facilitar o trabalho dos times, orientar com clareza e apoiar a produtividade de cada departamento. Também me dá legitimidade para engajar e motivar, pois já estive no lugar de cada colaborador e sei o que cada função exige”, ressalta.
Entre funções desafiadoras e divertidas, Rodrigo guarda memórias marcantes. “Na manutenção, cheguei a coordenar 11 projetos simultâneos. Foi ali que entendi o valor do planejamento. Já em Alimentos e Bebidas, descobri o dinamismo e o prazer de lidar com os clientes”.
Dicas do que fazer em São Paulo pelo olhar de um hoteleiro
À frente do Grand Mercure Ibirapuera, Rodrigo também assume o papel de anfitrião da cidade. E suas dicas vão muito além do circuito básico. Para quem chega pela primeira vez, ele recomenda começar pelo Parque Ibirapuera, “um verdadeiro cartão-postal”, e seguir até a Avenida Paulista aos domingos, quando a via se transforma em palco cultural.
“Recomendo se hospedar no Grand Mercure Ibirapuera, porque oferecemos uma estrutura completa de lazer, com piscina externa, spa e quadra de tênis, além de um heliponto para maior comodidade. […] A partir daí, não pode faltar uma visita ao Parque Ibirapuera, que é um verdadeiro cartão-postal da cidade. Aos domingos, a Avenida Paulista se transforma em um grande centro cultural a céu aberto, com artistas, feiras e uma energia incrível. Além disso, recomendo explorar a diversidade gastronômica, os teatros e os inúmeros espaços culturais que fazem de São Paulo uma cidade vibrante, com atrações para todos os dias da semana”, avalia.
Para os que já conhecem, a sugestão é explorar o centro histórico! “Sugiro uma caminhada, explorando a arquitetura muitas vezes esquecida de prédios icônicos, como o Edifício Martinelli, e subindo até o topo do Edifício Altino Arantes (Farol Santander). Também vale visitar feiras de rua em bairros tradicionais, como a Liberdade, que oferecem uma imersão cultural única”, opina o gerente.
Rodrigo ainda elenca cinco paradas imperdíveis a todo viajante: “Beco do Batman, pela arte urbana; o MASP, ícone cultural da cidade; Bar SubAstor, pela atmosfera única; o Mercado Municipal, um clássico da gastronomia paulistana; e a Boulangerie do Grand Mercure Ibirapuera, onde unimos tradição, qualidade e um toque autoral”.





O hotel como extensão da experiência
Vale destacar que o Grand Mercure Ibirapuera está há cinco meses consecutivos no topo do TripAdvisor em São Paulo, como ele mesmo conta: “Esse resultado é fruto do envolvimento e do engajamento de toda a equipe. Mantemos treinamentos constantes, comunicação clara e briefings diários. Valorizamos cada colaborador que faz a diferença e buscamos corrigir pontos de melhoria sem descanso”.
E se fosse para recomendar uma experiência dentro do hotel? Ele não hesita: “A Feijuca do Grand Ibira, que é realizada todo primeiro sábado do mês. É um evento que une sofisticação, boa música e uma gastronomia brasileira rica em história e sabor”.

Conselhos e sonhos
Com a autoridade de quem percorreu praticamente todas as áreas possíveis da hotelaria, Rodrigo deixa uma mensagem aos jovens que começam como ele, na lavanderia: “Diria para acreditar nos seus sonhos e lutar pelos seus objetivos. Investir em conhecimento e buscar experiências são os caminhos que o levarão onde quiser chegar. A hotelaria oferece oportunidades incríveis para quem tem paixão por servir e vontade de crescer”.
Hoje, o executivo soma conquistas, mas também guarda desejos. “Na vida pessoal, meu grande sonho é um dia ser pai. Na hotelaria, meu desejo é continuar crescendo e, no futuro, construir uma carreira internacional, levando comigo toda a experiência e aprendizado que acumulei ao longo desses anos”, conclui.
