O maior conglomerado de luxo do planeta vive uma de suas piores fases. A LVMH (Moët Hennessy Louis Vuitton) perdeu, desde 2023, mais de €221 bilhões em valor de mercado, e o império de Bernard Arnault sofre abalos que extrapolam os gráficos da bolsa. Com queda de demanda nos EUA e China, críticas crescentes à gestão, branding confuso e uma avalanche de produtos considerados genéricos ou excessivamente “hypados”, o grupo vê a concorrente Hermès ultrapassá-lo em valor de mercado pela primeira vez na história. A pergunta que fica, principalmente nos bastidores da hotelaria de luxo, é: até quando os hotéis da LVMH vão resistir ilesos?

Império para além da moda

Embora mundialmente conhecida por marcas como Louis Vuitton, Dior, Bulgari e Tiffany & Co., a LVMH também atua em áreas como vinhos, joias, beleza, gastronomia e hospitalidade. No setor hoteleiro, o grupo é responsável por duas marcas de peso: a Cheval Blanc, criada e operada internamente pela holding, e a Belmond, adquirida em 2019. Além disso, a empresa detém participação minoritária na rede Les Domaines de Fontenille, especializada em hotéis-boutique.

Enquanto a holding é pressionada por acionistas e analistas a “enxugar” o portfólio, os negócios hoteleiros ainda parecem intocáveis… pelo menos por enquanto.

As joias do portfólio hoteleiro da LVMH

1. Cheval Blanc

Fundada em 2006, a Cheval Blanc é a interpretação mais pura do savoir-faire da LVMH no mundo da hospitalidade. Suas chamadas Maisons priorizam exclusividade radical, com número reduzido de quartos, serviço hipersofisticado e design que mescla inovação e tradição local.

Hoje, são seis unidades em operação:

Todas seguem uma filosofia de privacidade extrema, bem-estar sob medida e experiências personalizadas.

Cheval Blanc Courchevel | Foto: Reprodução
Cheval Blanc Courchevel | Foto: Reprodução
Cheval Blanc Randheli | Foto: Reprodução
Cheval Blanc Randheli | Foto: Reprodução
Cheval Blanc Paris | Foto: Reprodução
Cheval Blanc Paris | Foto: Reprodução

2. Belmond

Com 47 propriedades em 28 países, sendo 29 hotéis, a Belmond representa a face mais clássica e multicultural da LVMH. Seu portfólio inclui hotéis históricos, trens icônicos como o Venice Simplon-Orient-Express, cruzeiros fluviais e lodges de safári.

Entre os destaques da rede estão:

Belmond Copacabana Palace | Foto: Reprodução
Belmond Copacabana Palace | Foto: Reprodução
Hotel das Cataratas, A Belmond Hotel | Foto: Reprodução
Hotel das Cataratas, A Belmond Hotel | Foto: Reprodução
Hotel Cipriani | Foto: Reprodução
Hotel Cipriani | Foto: Reprodução

A marca é pioneira do conceito de Slow Luxury, onde o valor está no tempo, na experiência e na herança cultural.

3. Bvlgari Hotels & Resorts

Parte do portfólio da LVMH desde 2011, a Bvlgari Hotels & Resorts é a face hoteleira da icônica joalheria italiana fundada em 1884. A marca, que conta com 9 hotéis em operação ao redor do mundo, traduz sua herança no design e na hospitalidade com uma estética que combina sofisticação contemporânea e detalhes artesanais italianos. Frequentemente classificada entre as melhores redes de luxo do mundo, opera hotéis em destinos estratégicos e segue em expansão, com novas unidades previstas para Miami (2026) e Maldivas (2027).

Entre os destaques estão:

Bvlgari Hotel Milan | Foto: Reprodução
Bvlgari Hotel Milan | Foto: Reprodução
Bvlgari Hotel Dubai | Foto: Reprodução
Bvlgari Hotel Dubai | Foto: Reprodução
Bvlgari Hotel Bali | Foto: Reprodução
Bvlgari Hotel Bali | Foto: Reprodução

4. Les Domaines de Fontenille

Aposta recente da LVMH no segmento de “luxo experimental” – com 11 hotéis no mundo -, o grupo francês Les Domaines de Fontenille foi fundado em 2016 por Frédéric Biousse e Guillaume Foucher. Com ênfase em experiências imersivas, gastronomia local e integração à natureza, a rede se espalha por França, Espanha e Itália. O investimento minoritário da LVMH e da Anaïs Ventures visa acelerar a expansão internacional e revitalizar propriedades históricas.

Entre as propriedades de destaque estão:

Domaine de Fontenille | Foto: Reprodução
Domaine de Fontenille | Foto: Reprodução
Pieve Aldina | Foto: Reprodução
Pieve Aldina | Foto: Reprodução
Les Hortensias du Lac | Foto: Reprodução
Les Hortensias du Lac | Foto: Reprodução

A crise do grupo LVMH é descrita por analistas como complexa e estrutural. Segundo o jornalista Bruno Richards, do “nøt journal”, a queda envolve desde o excesso de marcas com desempenho mediano até uma estratégia de branding considerada confusa. A reportagem aponta que a Louis Vuitton é acusada de perder clareza e sofisticação, enquanto a divisão Moët Hennessy sofre com a retração no consumo de bebidas de luxo, sobretudo nos Estados Unidos e na China.

Já a Dior estaria enfrentando desgaste de imagem após uma série de aumentos de preços que afastaram clientes e denúncias de “exploração de trabalhadores sem documentos na Itália” para redução de custos, como revelou o portal “Metrópoles”.

Apesar das turbulências nas áreas de moda e bebidas, não há registros públicos de que a crise tenha atingido diretamente as operações hoteleiras da LVMH até agora. As marcas Cheval Blanc e Belmond seguem ativas, sem anúncios oficiais de cortes, vendas ou mudanças de estratégia. No entanto, o futuro é incerto. De acordo com a “NSS Magazine”, os investimentos do grupo em segmentos como moda, beleza, restaurantes e hospitalidade já geram preocupação entre investidores, justamente por não integrarem o núcleo mais lucrativo da holding. O que será que vem por aí? Os hotéis luxuosos vão conseguir resistir por muito tempo?