Por: Luiz Eugênio de Castro

Entre coroas, protocolos e seguranças discretos, há destinos onde reis, rainhas e princesas se hospedam como se estivessem em casa… ou, pelo menos, em palácios que rivalizam com os próprios castelos reais. Hotéis que não só oferecem luxo extremo, mas que têm história, arquitetura e discrição suficientes para merecer a confiança da realeza. De Nova York ao Rio de Janeiro, passando por Paris e Madri, cinco endereços ganharam o selo não oficial, mas valioso, de ter acolhido alguns dos nomes mais simbólicos da monarquia mundial.

Abaixo, um mergulho preciso em cinco hospedagens que, em diferentes décadas e circunstâncias, serviram como palco silencioso (e por vezes controverso) para momentos protagonizados por membros da realeza.

The Mark Hotel (Nova York, EUA)

Em fevereiro de 2019, Nova York parou (ou quase) para acompanhar o discreto, mas inevitavelmente midiático, chá de bebê de Meghan Markle. Grávida de sete meses do príncipe Archie, a então Duquesa de Sussex escolheu a cobertura do The Mark Hotel, no Upper East Side, como cenário da celebração organizada por suas amigas.

A escolha não foi aleatória. Localizada a poucos passos do Central Park e do Metropolitan Museum, a penthouse do The Mark é a mais cara dos Estados Unidos, com diárias de até 75 mil dólares. Espalhados por mais de 1.100 metros quadrados estão cinco quartos, seis banheiros, dois bares, uma sala de jantar para 24 pessoas, cozinha gourmet assinada por Piero Lissoni e lareiras que pontuam a atmosfera intimista.

Com menu exclusivo do chef Jean-Georges Vongerichten e aula de arranjos florais entre as atividades do dia, o evento durou dois dias e reuniu cerca de 15 amigas íntimas, entre elas Serena Williams e Amal Clooney. Meghan voou em um jato particular e, embora o evento tenha sido financiado por amigas, causou desconforto no Reino Unido. Jornais e fóruns questionaram se era possível manter um discurso público progressista enquanto se vive, mesmo que pontualmente, em bolhas de luxo. O Daily Mail chegou a sugerir que a extravagância da ocasião poderia não ter agradado à rainha Elizabeth II.

The Mark Hotel (Nova York, EUA) | Foto: Divulgação
The Mark Hotel (Nova York, EUA) | Foto: Divulgação
Suíte que Meghan Markle fez chá de bebê | Foto: Divulgação
Suíte que Meghan Markle fez chá de bebê | Foto: Divulgação
Meghan Markle saindo do The Mark Hotel | Foto: Reprodução
Meghan Markle saindo do The Mark Hotel | Foto: Reprodução
Belmond Copacabana Palace (Rio de Janeiro, Brasil)

Com mais de 100 anos de história, o Copacabana Palace é mais que um cartão-postal do Rio. Foi, e ainda é, o endereço de reis e rainhas em solo brasileiro. Em 1968, durante sua única visita oficial ao Brasil, a Rainha Elizabeth II se hospedou no hotel.

Dez anos depois, o então príncipe Charles – atual Rei Charles III – também se hospedaria ali, repetindo a escolha em outras três visitas ao país. Em uma dessas passagens, veio acompanhado da princesa Diana, que chegou a ser fotografada na porta do hotel!

Construído a pedido do presidente Epitácio Pessoa e inspirado nos grandes hotéis da Riviera Francesa, o Copa sempre foi sinônimo de imponência tropical. São 239 quartos e suítes em estilo art déco, muitos deles com vista direta para a orla mais famosa do país. O local já sobreviveu a ressacas históricas, ameaças de demolição e à própria decadência da hotelaria carioca nas décadas de 70 e 80, mas foi restaurado com investimento milionário após a aquisição pelo grupo Belmond, hoje controlado pela LVMH.

Belmond Copacabana Palace | Foto: Divulgação
Belmond Copacabana Palace | Foto: Divulgação
Princesa Diana no Belmond Copacabana Palace | Foto: Reprodução
Princesa Diana no Belmond Copacabana Palace | Foto: Reprodução
Elizabeth II e Charles no Belmond Copacabana Palace | Foto: Reprodução
Elizabeth II e Charles chegando no Belmond Copacabana Palace | Foto: Reprodução
Mandarin Oriental Ritz (Madri, Espanha)

Quando o rei Afonso XIII decidiu transformar Madri em um destino à altura da realeza europeia, sabia que precisava de um hotel com nome e estrutura dignos de chefes de Estado. Foi assim que nasceu o Ritz Madrid, inaugurado em 1910, com capital parcialmente financiado pelo próprio monarca.

A construção ficou a cargo de César Ritz (sim, o mesmo dos endereços parisienses e londrinos), e o projeto foi tocado com atenção quase obsessiva: tapetes tecidos na Real Fábrica de Tapeçarias, louças Limoges, móveis sob medida, cortinas e espelhos selecionados a dedo.

Desde sua abertura, o Ritz recebeu uma lista interminável de figuras ilustres. Grace Kelly e o príncipe Rainier passaram a lua de mel ali. Mata Hari, sob o pseudônimo de Condessa Masslov, operava como espiã entre seus aposentos durante a Primeira Guerra.

Hoje, rebatizado como Mandarin Oriental Ritz após uma renovação completa em 2021, o hotel mantém sua arquitetura Belle Époque, mas com um spa subterrâneo, suítes modernizadas e restaurante estrelado. Ainda ocupa o mesmo terreno que, no passado, abrigava os jardins do Teatro Tívoli, a poucos metros do Museu do Prado.

Mandarin Oriental Ritz (Madri, Espanha) | Foto: Divulgação
Mandarin Oriental Ritz (Madri, Espanha) | Foto: Divulgação
Mandarin Oriental Ritz (Madri, Espanha) | Foto: Divulgação
Mandarin Oriental Ritz (Madri, Espanha) | Foto: Divulgação
Mandarin Oriental Ritz (Madri, Espanha) | Foto: Divulgação
Mandarin Oriental Ritz (Madri, Espanha) | Foto: Divulgação
The Ritz (Paris, França)

O número 15 da Place Vendôme, em Paris, guarda mais que ouro, diamantes e lojas de alta-costura. É também o endereço do The Ritz, hotel onde a princesa Diana jantou pela última vez antes de sua morte, em 1997. A suíte Imperial, onde esteve hospedada, foi cuidadosamente restaurada, e desde então, preservada com discrição e reverência.

Fundado por César Ritz em 1898, o hotel foi pensado para unir o requinte dos palácios franceses com a modernidade inglesa. Coco Chanel morou ali por mais de 30 anos. Hemingway, Proust, Audrey Hepburn e tantos outros também passaram por seus corredores. Mas nenhum hóspede está tão vinculado à aura do hotel quanto Diana Spencer.

Naquela noite de 30 de agosto, acompanhada de Dodi Al-Fayed (filho de Mohamed Al-Fayed, então proprietário do Ritz), a princesa deixou discretamente o hotel pouco antes da meia-noite. O carro em que estava colidiu pouco depois, no túnel da Pont de l’Alma. A tragédia transformaria a Place Vendôme  e o próprio Ritz em um ponto de luto mundial silencioso.

The Ritz (Paris, França) | Foto: Divulgação
The Ritz (Paris, França) | Foto: Divulgação
Princesa Diana saindo do The Ritz (Paris, França) | Foto: Reprodução
Princesa Diana saindo do The Ritz (Paris, França) | Foto: Reprodução
The Ritz (Paris, França) | Foto: Divulgação
The Ritz (Paris, França) | Foto: Divulgação
The Dorchester (Londres, Inglaterra)

Em Londres, poucos hotéis têm uma relação tão longa com a família real quanto o Dorchester. Localizado em Park Lane, com vista para o Hyde Park, o hotel foi inaugurado em 1931 e, desde então, se tornou um favorito entre nobres, estadistas e celebridades.

Rainha Elizabeth II participou de diversos eventos oficiais no hotel. Camilla, hoje rainha consorte, realizou ali sua despedida de solteira antes de se casar com Charles, em 2005. E, segundo registros, a própria princesa Diana também esteve presente em ocasiões sociais realizadas no salão principal.

A construção do hotel foi considerada uma das mais modernas de sua época: estrutura de concreto, à prova de bombas durante a Segunda Guerra. Hoje, o Dorchester mescla elegância britânica tradicional com renovações de altíssimo padrão, mantendo-se como um dos endereços mais exclusivos de Londres, mesmo sendo, paradoxalmente, palco de festas que contrastam com a rigidez da monarquia.

The Dorchester (Londres, Inglaterra) | Foto: Divulgação
The Dorchester (Londres, Inglaterra) | Foto: Divulgação
Rainha Elizabeth no The Dorchester (Londres, Inglaterra) | Foto: Reprodução
Rainha Elizabeth no The Dorchester (Londres, Inglaterra) | Foto: Reprodução
The Dorchester (Londres, Inglaterra) | Foto: Divulgação
The Dorchester (Londres, Inglaterra) | Foto: Divulgação