Paris abriga alguns dos endereços mais desejados do mundo, mas apenas 31 hotéis em toda a França têm direito a um título que vai além das cinco estrelas: o de palace hotel. Essa distinção, concedida pela Atout France, o órgão de turismo do país, reconhece a excelência máxima em hospitalidade e exige critérios rigorosos de conforto, sofisticação, serviço e identidade. Na capital francesa, apenas 12 estabelecimentos detêm esse selo. Na margem esquerda do Rio Sena, o único é o icônico Hôtel Lutetia.
Inaugurado em 1910, no elegante bairro de Saint-Germain-des-Prés, o Lutetia foi criado pela família Boucicaut (os mesmos fundadores do Le Bon Marché) para receber a clientela refinada da loja de departamentos. Desde então, tornou-se mais do que um hotel: é um símbolo vivo da história cultural parisiense, com uma arquitetura que mescla Art Nouveau e Art Déco, e um passado marcado por hóspedes ilustres como Picasso, Matisse, James Joyce e Charles de Gaulle. Durante a Segunda Guerra Mundial, abrigou sobreviventes dos campos de concentração, um capítulo de profunda humanidade em sua trajetória.
Após mais de cem anos em operação, o hotel passou por uma extensa reforma de quatro anos, liderada pelo arquiteto Jean-Michel Wilmotte, e reabriu suas portas em 2018 com espaços ainda mais sofisticados, confortáveis e iluminados.
Detalhes que fazem a diferença
Hoje rebatizado como Mandarin Oriental Lutetia, Paris, o hotel une a tradição à assinatura de excelência do grupo hoteleiro internacional. Fronhas bordadas com as iniciais do hóspede (que podem ser levadas como lembrança), banheiros inteiros em mármore Calacatta e suítes com varandas voltadas para a Torre Eiffel trazem uma atmosfera imponente que mistura sobriedade, arte e exclusividade.
O hotel conta com 184 acomodações (antes da renovação, eram 233), e cada uma foi pensada para oferecer uma estadia não apenas confortável, mas memorável. Entre elas, oito suítes recebem atenção especial: a Saint-Germain by Coppola, criada em colaboração com Francis Ford Coppola e decorada com peças de sua coleção pessoal; a La Parisienne, dedicada à atriz Isabelle Huppert; e a suíte Literária, com uma escrivaninha posicionada estrategicamente diante da Torre Eiffel, uma homenagem aos escritores que ali se hospedaram, como Hemingway e James Joyce. Há ainda dois apartamentos com terraços que oferecem visões de 360 graus da Cidade-Luz… um privilégio raríssimo.


Gastronomia, arte e bem-estar
Com quatro espaços gastronômicos, o hotel se destaca também como destino para os amantes da boa mesa. A Brasserie Lutetia é o endereço ideal para saborear autênticos pratos franceses, inclusive o café da manhã, com croissants e financiers que valem por si só a visita. No Le Saint Germain, o destaque vai para o salão com claraboia de vidro pintada pelo artista Fabrice Hyber e os doces do chef confeiteiro Nicolas Guercio, perfeitos para o chá da tarde. Os bares Joséphine e Aristide completam a experiência: o primeiro com afrescos históricos restaurados, o segundo mais intimista, ambos embalados por música jazz.


No subsolo, o Akasha Spa ocupa 700 m² e inclui uma piscina de 17 metros, um dos maiores e mais sofisticados espaços de bem-estar da cidade. Um verdadeiro refúgio para quem deseja desacelerar e se cuidar, sem sair do hotel.

Ter o status de palace significa ir além do luxo óbvio. É oferecer uma experiência que seja ao mesmo tempo personalizada, artística, memorável e, acima de tudo, coerente com a identidade francesa de hospitalidade. Para obter esse título, o Lutetia passou por avaliações técnicas e por um júri composto por personalidades das artes, literatura e mídia.
