A morte de Manoel Carlos, no último sábado (10), reacendeu a memória afetiva em torno de uma obra que ajudou a moldar o imaginário urbano do Rio de Janeiro na televisão. Poucos autores transformaram a cidade em personagem com a mesma precisão – e, entre tantos cenários emblemáticos, um endereço em especial voltou a circular nas redes: a mansão de “Laços de Família”, no Joá, eternizada como a casa de Alma, vivida por Marieta Severo.
Pano de fundo da novela exibida originalmente em 2000, o imóvel atravessou a ficção e chegou a ganhar vida própria fora da tela. Construída nos anos 1970 e cravada em um dos pontos mais altos e reservados do Joá, a casa chegou a virar, duas décadas depois, um hotel boutique, com uma experiência de hospedagem que apostava tanto no endereço quanto no peso simbólico da dramaturgia brasileira.
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Projetada pelo arquiteto Zanine Caldas, a mansão tem cerca de 1.600 metros quadrados de área construída, em um terreno que ultrapassa os 3 mil metros quadrados, com vista aberta para a Pedra da Gávea, o mar de São Conrado, a Barra da Tijuca e a Praia da Joatinga, a poucos metros dali. Na novela, o cenário foi palco de festas regadas a champanhe, conflitos familiares e cenas que ajudaram a consolidar o tom sofisticado – e, por vezes, ácido – de “Laços de Família”.
Nos anos seguintes à exibição da trama, o imóvel passou por uma reforma e foi reposicionado no mercado como Le Chateaux Joá, que se classificava em sites de hospedagens como um hotel boutique de perfil ultraexclusivo. A proposta se distanciava do modelo tradicional de hospedagem: poucas suítes, atendimento personalizado, privacidade total e a sensação de estar em uma residência particular.
Apesar do nome e da fama, a mansão não opera atualmente como um hotel aberto ao público. O imóvel está fechado para hospedagem regular, sendo disponibilizado apenas para aluguéis pontuais ou negociação de venda, sempre em patamares elevados, condizentes com sua localização privilegiada, ampla metragem e forte valor simbólico. Ainda assim, o espaço evidencia a necessidade de reformas e modernização, um contraste claro entre o imaginário criado pela ficção e a realidade atual do imóvel.
Assim como as “Helenas” que atravessaram gerações, a casa de Laços de Família permanece reconhecível, desejada e carregada de significado. Um endereço real que continua contando histórias… mesmo em silêncio, de portas fechadas, acima do mar.


