Durante décadas, o Torre Palace Hotel foi um dos símbolos da hotelaria em Brasília. Inaugurado em 1973, em plena expansão da capital, o edifício de 14 andares e 140 quartos hospedou políticos, empresários e artistas… todos atraídos pela vista ampla do Eixo Monumental, onde se alinham alguns dos principais marcos da cidade: o Congresso Nacional, a Catedral Metropolitana e o Mané Garrincha.
Hoje, porém, aquele que já foi o primeiro hotel de luxo da capital federal virou sinônimo de abandono. Depois de fechar as portas em 2013, o Torre Palace entrou num longo labirinto de disputas judiciais, brigas familiares e tentativas frustradas de recuperação. A estrutura, tomada por pichações, lixo e invasões, virou ponto de encontro para usuários de drogas e abrigo improvisado. Uma verdadeira decadência de um empreendimento que, no auge, simbolizava o prestígio de Brasília!

Da glória à ruína
O Torre Palace foi idealizado pelo empresário Jibran El-Hadj, imigrante libanês que apostou no turismo de negócios como motor do desenvolvimento do Distrito Federal. O hotel funcionou por quatro décadas, tornando-se referência em hospedagem de alto padrão nos anos 1980 e 1990.
Com a morte do fundador, no início dos anos 2000, o destino do empreendimento passou a ser disputado entre os seis herdeiros e a viúva, o que travou qualquer tentativa de modernização. Enquanto outras redes internacionais se instalavam na cidade, o Torre Palace envelhecia sem manutenção e acumulava dívidas.
Em 2013, a direção anunciou o fechamento definitivo. Pouco depois, o prédio foi ocupado irregularmente, obrigando o governo a intervir. A desocupação ocorreu em 2016, mas o local continuou sendo invadido por pichadores e usuários de drogas, o que voltou a preocupar comerciantes e moradores do Setor Hoteleiro Norte.



Impasse judicial e o desfecho
Desde então, o edifício virou um problema judicial e urbano. Em 2019, a Justiça do Distrito Federal chegou a negar o pedido de demolição feito pelo governo, determinando que os herdeiros cuidassem da conservação do imóvel, o que, na prática, nunca aconteceu.
Nos últimos meses, a situação ganhou novo capítulo. Segundo informações do g1, o governo voltou à Justiça pedindo autorização para derrubar o prédio, considerado um risco estrutural. Desta vez, a decisão foi favorável: a demolição foi confirmada.
Ainda segundo o veículo, o terreno foi adquirido por um grupo hoteleiro privado, que planeja erguer ali um novo hotel de luxo. O nome da bandeira ainda não foi revelado, mas a intenção, segundo o conselheiro do grupo, Marcos Cumagai, em entrevista à TV Globo, é “reconstruir o prestígio hoteleiro da área, com um projeto moderno, sustentável e à altura da localização”.
Para o Governo do Distrito Federal, o início das obras representa o encerramento de uma novela de mais de uma década. A vice-governadora Celina Leão afirmou ao g1 que o GDF pretende agilizar as autorizações para que a demolição ocorra ainda em 2025. “Há toda uma articulação por parte do GDF, toda uma ligação nossa para todas as autoridades do exército para que a gente faça o mais rápido possível. A gente está colocando prazo de um mês e meio, no máximo [para aquisição da autorização de demolição]”, disse.
A expectativa do setor é que o novo empreendimento, além de restaurar o dinamismo da região, também eleve o padrão de hospitalidade do centro de Brasília, resgatando um legado que parecia perdido.
