O ritual de reorganizar cosméticos em frascos minúsculos e acomodá-los em saquinhos plásticos transparentes pode estar com os dias contados. Ao menos para quem voa pelos principais aeroportos da Europa. Depois de quase duas décadas em vigor, a rígida limitação de 100 ml para líquidos na bagagem de mão está prestes a ser flexibilizada graças à adoção de uma nova geração de scanners de segurança.
Na última sexta-feira, 25 de julho de 2025, a Comissão Europeia concedeu o selo oficial da União Europeia às primeiras configurações de equipamentos capazes de identificar substâncias perigosas – inclusive explosivos líquidos – mesmo em frascos maiores. A decisão representa um divisor de águas para a aviação comercial no continente e pode impactar diretamente o fluxo de viajantes de alto padrão que buscam mais conforto, agilidade e menos burocracia nos terminais internacionais.
A mudança foi viabilizada pelo uso de tecnologias como a EDS CB C3, que emprega tomografia computadorizada tridimensional para escanear bagagens com precisão hospitalar. Em vez de exigir a remoção de líquidos e eletrônicos na triagem, os novos aparelhos analisam o conteúdo dos volumes em tempo real, sob múltiplos ângulos, oferecendo maior segurança sem sacrificar a fluidez do processo de embarque.
Já em operação em parte da Itália e em expansão pela UE
O pioneirismo na adoção da nova regra cabe à Itália, onde aeroportos como Roma Fiumicino, Milão Malpensa, Milão Linate, Bolonha e Turim já eliminaram a limitação dos 100 ml. Agora, é possível embarcar com vinhos, azeites, perfumes e cremes em frascos de até dois litros, respeitando apenas os limites alfandegários. A autoridade de aviação civil italiana (ENAC) confirmou a medida, respaldada pela Conferência Europeia de Aviação Civil (ECAC), que deu parecer favorável à nova tecnologia em junho deste ano.
Outros terminais, como Frankfurt, Munique, Amsterdã, Barcelona, Dublin, Madri, Cracóvia e Estocolmo, já estão preparados para seguir o mesmo caminho. Cerca de 700 scanners do novo tipo estão em fase de instalação ou uso ativo em 21 países da União Europeia, segundo dados divulgados pela Comissão Europeia à Euronews e ao portal Melhores Destinos.
Mas, atenção… a liberação da nova regra ainda não é homogênea. Nem todos os aeroportos do bloco estão equipados com os sistemas avançados, e cabe a cada Estado-Membro decidir quando e como implementará a mudança. Em voos que partem de aeroportos ainda não modernizados, a exigência do limite de 100 ml continua válida.
Itens de cuidado pessoal em embalagens originais, souvenires líquidos sofisticados (como azeites artesanais ou licores de origem controlada) e até garrafas de vinho poderão circular com liberdade na bagagem de mão. Sem riscos de apreensão no raio-x!
Além disso, a redução no uso de sacos plásticos descartáveis responde também a uma demanda crescente por sustentabilidade no setor de viagens de alto padrão, alinhando conforto e consciência ambiental.
A regra dos 100 ml foi adotada em 2006, após autoridades britânicas frustrarem um plano terrorista que envolvia explosivos líquidos camuflados em bagagens de mão. Desde então, a norma se tornou um dos maiores pontos de atrito nos aeroportos, gerando filas, atrasos e descartes de última hora.
Com a validação da nova geração de scanners, a UE passa a liderar globalmente uma transformação que já começou também no Reino Unido, onde aeroportos como Heathrow e Birmingham iniciaram a migração tecnológica em 2024. Os Estados Unidos, por sua vez, seguem avaliando a adoção em escala nacional, mas já flexibilizaram restrições em alguns hubs domésticos.
A previsão é de que até 2026 a nova norma esteja em vigor na maioria dos terminais europeus.

O que o passageiro deve fazer agora?
Enquanto o novo padrão não se consolida, a recomendação é a de que antes de viajar, confira as regras do aeroporto de origem e de eventuais escalas. Em itinerários com conexão, há risco de o frasco maior ser barrado em um segundo controle, caso o terminal ainda opere com os procedimentos antigos.
Para quem embarca em aeroportos já atualizados, a liberdade é bem-vinda, mas ainda exige atenção. As restrições alfandegárias, especialmente para voos extrabloco (como para os Estados Unidos ou Israel), continuam válidas, independentemente do scanner usado.
