Matera já foi chamada de “a vergonha da Itália”. Hoje, vira referência mundial em turismo de experiência e luxo com alma. No meio das rochas por onde já andaram Jesus (no filme de Mel Gibson) e James Bond (em “Sem Tempo para Morrer”), surgiu o Vetera Matera, um hotel 5 estrelas que transforma cavernas milenares em suítes exclusivas e mergulha o hóspede em uma história com milhares de anos.
A cidade, que integra o seleto grupo de Patrimônios Mundiais da Unesco, tem um dos conjuntos urbanos mais antigos do planeta. Mas o que antes era sinônimo de abandono e precariedade real, com famílias inteiras vivendo em cavernas sem luz ou saneamento até meados do século XX – virou palco para um tipo de hospedagem que poucos lugares no mundo conseguem oferecer.
É nesse cenário, entre os bairros de Sasso Barisano e Sasso Caveoso, que o Vetera se espalha por becos estreitos, claustros de pedra e pátios que, no passado, abrigavam comunidades inteiras. A proposta é ousadíssima… um “albergo diffuso”, modelo italiano que distribui os quartos em construções históricas distintas, criando uma vila-hotel. São 23 acomodações, incluindo suítes cavadas na rocha e quartos nos chamados “andares nobres”, com tetos abobadados e janelas que se abrem para um panorama surreal.
E olha que tudo isso só ficou pronto recentemente. A restauração levou anos. Literalmente. Em parte porque a pedra local (o tufo calcário) absorveu séculos de umidade, o que exigiu paciência antes mesmo de instalar os primeiros fios de eletricidade. Em outra medida, pela rigidez das regras de preservação, que proíbem quase tudo – menos sonhar grande, como fez o dentista Michele Iacovone, idealizador do projeto.
O curioso é que nada ali parece forçado. Pelo contrário. O Vetera respeita cada camada do passado e entrega uma experiência genuína. As paredes continuam ásperas. Os nichos escavados continuam visíveis. Mas agora abrigam luminárias suaves, móveis de design italiano e, em alguns quartos, piscinas internas privativas, daquelas em que a água parece tocar a própria rocha. A atmosfera é íntima, quase silenciosa. E, a essa altura, difícil não se perguntar como a cidade foi esquecida por tanto tempo!

:max_bytes(150000):strip_icc()/TAL-lead-image-VATERAMATERA0625-8473ff404e884f829845700a63c307e5.jpg)

Além da hospedagem, o hotel também investe no bem-estar com um spa subterrâneo de nome etéreo: Eterea. A área inclui sauna, banho turco, duchas sensoriais, serviços de estética e uma piscina de bordas arredondadas, que parece ter sido moldada pelas mãos do tempo.
:max_bytes(150000):strip_icc()/TAL-spa-4-VATERAMATERA0625-387a55be75564b6abd3365bd82812305.jpg)
No restaurante, o projeto gastronômico quer surpreender sem perder a raiz. A cozinha é inspirada nas tradições locais, mas passa longe de cardápios previsíveis. Há vinhos da uva Aglianico, que só cresce ali, e pratos com ingredientes típicos como o peperone crusco, um pimentão vermelho seco ao sol e frito, servido crocante como petisco.


